O fantástico calendário brasileiro

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Eu gosto de futebol por gostar. Nunca ganhei nada por causa de futebol, além de sorteio e promoções (que tem que trocar por alguma coisa).

O momento do Cruzeiro é perfeito, tenho nada a reclamar e que continue assim. Porém falta algo.

Sou daquelas vidradas, que apesar de ter nada a ver profissionalmente, faço da minha torcida quase uma profissão, onde recebo meu pagamento via felicidades no estádio e vou em todos os jogos pra receber o pagamento. Ahhh.. o futebol.

Jogo CAP x CEC do primeiro turno ocorreu as 15 horas de uma quarta em local mais parecido com um pasto | Foto: GDG

Jogo CAP x CEC do primeiro turno ocorreu as 15 horas de uma quarta em local mais parecido com um pasto | Foto: GDG

Mas está ficando ruim… Nada com o Cruzeiro, mas com os outros. Além da fórmula do campeonato mineiro, o Cruzeiro soube montar um elenco grande pra aguentar esse calendário, desembolsou muita grana e teve que fazer um planejamento bem além do normal pra aguentar a toada. Mas e o futebol todo?

Já disse outras vezes que não ter adversários é ruim porque acaba a graça. Só pegar o jogo contra o Botafogo semana passada: altíssima qualidade contra um adversário de alta qualidade. Como seria bom se os outros jogos fossem assim também.

O campeonato brasileiro é um ótimo campeonato, temos grandes nomes, revelamos melhores do mundo, mas está em decadência. Ganha quem “entende” melhor a fórmula.

Ver o Rafael Sóbis passando mal ao fim do péssimo jogo contra o Coritiba no sábado foi triste… questionado, disse que era por causa do cansaço. Como a qualidade de um jogo fica a mercê do calendário?

Sóbis

Sóbis passou mal ao fim do jogo | Foto: Gazeta Press

O futebol brasileiro é muito melhor que o europeu. A competitividade, a divisão de bons jogadores, a torcida… mas é inversamente proporcional à inteligência do calendário europeu ao colocar os campeonatos estaduais no mesmo patamar que o campeonato Nacional.

Penso que a melhor opção seria os outros estados copiarem a fórmula do campeonato mineiro – que considero a “menos pior” com no máximo 15 jogos, já que o paulista possui 23 jogos  – e diminuir o período para o estadual. Ou eliminá-lo do calendário. Não faria falta aos grandes…

Para exemplificar como é mal feita essa distribuição, o primeiro jogo do campeonato mineiro foi no dia 03/02/13 e quatro dias depois, por solicitação da dona Globo, tivemos o grandioso e magnífico jogo contra o América-TO às 21:50 e, 11 dias depois (17/02/13), o Cruzeiro jogou a segunda rodada, sem nenhum jogo neste intervalo. E TREZE dias depois veio o jogo seguinte (dia 02/03/13).

Foi quase um mês com “incríveis” jogos contra Atlético-MG, Amética-TO, Tombense e Guarani.

Já pulando para hoje, do dia 21/08/13 à 22/09/13, contamos com exagerados 10 jogos, contra Flamengo (3x), Ponte Preta, Vasco, Bahia, Goiás, Atlético-PR, Botafogo e Corinthians.

Ai vem o torcedor radical e diz: “mas eles ganham rios de dinheiro pra isso”. E ganham mesmo! O futebol do Brasil é super inflacionado. Porém nenhum dinheiro do mundo é capaz de suportar o cansaço físico. Apesar do imenso abismo financeiro entre o meu salário e o salário deles, eles possuem a mesma estrutura humana que a minha (né?). Não há músculo que aguente.

Este manifesto não deveria ser só dos jogadores, mas também dos telespectadores que chegam em casa uma hora da madrugada da quinta-feira após um jogo pagando caro, que nem sempre é de qualidade, e sair pra trabalhar as 06:30 da manhã. Nós somos loucos mesmo por fazer isso, loucos por futebol. Loucos. Mas podemos ajudar a deixar um pouco mais inteligente.

Este manifesto não deveria ser só dos jogadores e torcedores, mas também dos dirigentes que são obrigados a desembolsar uma grana em dobro pra ter um elenco capaz de suprir tantas lesões e ser competitivo.

Mas este manifesto só não pertence a duas entidades… uma certa minoria que se beneficia com isso tudo.

Luciana Bois

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D