Cerveja entrevista – Paulinho Mclaren

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Paulinho Mclaren jogou pouco tempo no Cruzeiro. Fez parte do time de 95 que foi pra semifinal do Brasileiro. Saiu no final do ano e voltou no segundo semestre de 96, não tendo sido campeão mineiro nem da copa do BR daquele ano. Entre 95 e 96,  foi campeão apenas da extinta Copa Ouro (contra o São Paulo, em partidas que também foram válidas pelas quartas da Supercopa daquele ano!), e ainda jogou no Atlético em 98.

A história de Mclaren no Cruzeiro poderia ser contada apenas pelo pequeno parágrafo acima, não fosse um fato: A famosa comemoração tripudiando do mascote do rival em um clássico válido pelo Campeonato Brasileiro, vencido por 2×1 em 1996.

Não há hoje um cruzeirense que nunca tenha, ao menos, ouvido falar em Paulinho Mclaren, e é comum ver pessoas mais jovens, que sequer viram esse cara jogar, circulando a imagem dele fazendo uma cara de deboche enquanto bate asas no gramado do Mineirão.

Como aquecimento para o clássico de domingo (13/10), batemos um papo com esse cara que, assim como Revétria, é símbolo do que representa o clássico mineiro, e é a prova viva de que o jogador que conhece e entende a rivalidade (de forma saudável, sempre) pode ficar marcado na história de um time.

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Como está a vida de treinador?

É um grande desafio a vida de treinador, mas estou contente por ter tido até agora uma trajetória que planejei e vivendo um momento ainda de grande aprendizagem, esperando o momento oportuno para um grande passo mais a frente, estou muito tranquilo e seguro de onde posso chegar.

Tem acompanhado o Futebol Brasileiro? O que tem achado das equipes?

Acompanho todas as divisões do futebol brasileiro, e em especial os grandes clubes. Este ano estamos tendo um brasileirão muito competitivo, com muitas equipes bem organizadas dentro e fora de campo, e tenho gostado do comprometimento de muitas equipes, houve um crescimento de natureza tática na cultura do jogador de futebol brasileiro e isso tem contribuído para esse equilíbrio nos jogos.

O que acha do Cruzeiro de Marcelo Oliveira?

Acho uma equipe moderna, com boa transição ofensiva e defensiva, tem variações interessantes, como qualquer equipe que esta na frente deve estar sendo muito monitorada pelos adversários, e ai é preciso muito trabalho para poder continuar surpreendendo, mas gosto da postura tática da equipe e principalmente o comprometimento do grupo todo em relação ao time, isso ajuda e faz a diferença para todo e qualquer treinador.  Everton Ribeiro joga e faz jogar. Tem sido o diferencial do Cruzeiro, em minha opinião.

Apesar de ter passado pouco tempo no Cruzeiro você ficou eternizado por ter imitado uma galinha depois de fazer um gol no Rival. Mais recentemente, tivemos o Kléber fazendo o mesmo e houve uma chuva de críticas tanto da imprensa como de torcedores. Na época em que você fez a comemoração houve repercussão negativa?

Naquele momento houve uma manifestação mais folclórica do que pejorativa em relação ao Atlético, nada que não fosse do futebol, a velha e boa história de zoar o nosso adversário, mesmo porque no ano anterior havíamos perdido o clássico e a torcida do Atlético tirou muita onda comigo, então foi numa boa a comemoração.

A ideia daquela comemoração surgiu na hora ou foi uma coisa pensada?

Foi espontânea, nada premeditado, mas te garanto que foi muito bom.

Acha que falta irreverência no futebol atual?

O futebol de hoje transitou para uma área de grande cobrança, exigências por perfeições, preconização de resultados, tempo curto pra tudo acontecer, e isso foi levado para dentro de campo, onde o futebol tem se mostrado muito mais competitivo, mas falta sim um pouco de irreverência dentro dos gramados.

Mesmo o torcedor cruzeirense que não viveu aquela época sabe quem é Paulinho McLaren, isso se deve, principalmente, por causa de um clássico. Como você vê Cruzeiro e Atlético hoje. É muito diferente da época em que você jogava?

Como te falei, os clubes de futebol se tornaram grandes empresas de entretenimento, Cruzeiro e Atlético também, até porque não existe outro caminho a seguir, mas ainda vejo a dupla mineira como grandes representantes do melhor do futebol brasileiro, os dois clubes possuem equipes competitivas.

O que pensa do clássico sem a torcida dividida?

Acho que isso esvazia o clássico, perde todo glamour, sem as torcidas dividindo as arquibancadas o jogo também se esvazia, não acho legal.