5 minutos de vaias merecidas

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Ontem cheguei atrasada ao Mineirão devido ao trânsito do horário de pico que não queria andar. Cortava caminhos, caía a chuva… e o Mineirão não chegava. Uma força quase em vão, que me fez ouvir o gol na rádio e no ar, já que o Mineirão estava a 4 quarteirões de distância e eu a pé na rua, depois de conseguir vaga a 6 quarteirões do Mineirão, corria na direção do Gigante. Eu tentei correr, mas lá se foram 30 minutos de jogo até conseguir entrar. Como aquela sensação de impotência quando você corre tanto, mas taaaanto, que o chão parece pesado e a perna não obedecer mais…

Foto: Bernado Salce | Textual

Foto: Bernado Salce | Textual

Força em vão pelo gol perdido. Horário disgramento por causa da CBF.

Assim foi o finzinho do jogo. Assim eu vi o Cruzeiro no fim do segundo tempo. Já não tinha perna e cabeça mais, estava exausto. Mesmo com um jogador a mais, parecia que tinha dois a menos.

Quase nenhum passe obedecia ao comando mental. Uma vaia saiu para o Ricardo Goulart, mas apenas no momento da passe mal feito. Uma vaia não ensaiada. Aquelas que se tem quando todo mundo levanta mandando o time atacar se preparando para o gol, num contra-ataque que pareceria mortal, mas foi seguido de uma frustração de uma bola perdida. Pra provar que não foi por querer, todos gritam o nome do mesmo só pra falar “cara, você errou, mas vambora que a gente te leva!”.

A pressão era tamanha do Fluminense, que a única coisa que parecia ajudar eram as vaias da torcida que cobriam todo e qualquer grito na hora do toque de bola do time alaranjado. Eram vaias merecidas. Não queríamos mais a taxa de fregueses do Fluminense e do Luxemburgo. E o comandante de 2003 era calado pela torcida de 2013. Ficava com o braço cruzado, já que sabia que não seria ouvido. E o Cruzeiro corria, corria. Ou tentava correr, na verdade.

Quase todo espaço se fechava quando o Cruzeiro tocava a bola, o gol parecia pequeno e longe, uns minutinhos pareciam semanas… Tudo pesa! A camisa inclusive. E na vez do time das Laranjeiras, todo espaço se fechava por um barulho ensurdecedor. O peso da camisa virava a força que viajava na velocidade do som. A torcida fez diferença.

Quando o time não tem perna mais, a torcida o empurra.

Penso que a vaia chutou a bola pra fora na hora da falta, isolou a bola na pequena área duas vezes, ajudou no reflexo do Fábio e ganhou o jogo. Foram 5 minutos, mas me lembro como se fossem os 90 do jogo todo. Um drama exagerado como a folga da tabela, mas necessário drama e necessária folga.

Foram 3 pontos em 5 minutos, a verdadeira função da vaia e uma verdadeira torcida.

Luciana Bois

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D