Pré-Jogo – Caldense x Cruzeiro: Vamos errar menos gols? E a venda de Vinícius não foi um “bom negócio”

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Olá amigos.

Hoje vamos enfrentar a Caldense na cidade de Caldense. Não, espera, a produção está me dizendo que não existe uma cidade chamada Caldense. Então agora ficou aí a dúvida de onde é esse time tão misterioso. Mentira, eu sei que eles são de Caldas Novas. Curiosidade: Toda vez que penso em Caldas Novas penso em pêssegos e acho que a cidade é cheia de pêssegos, tem doce de pêssego, as casas são feitas de pêssegos, as pessoas são pêssegos gigantes que andam por aí.

Bom, falando sobre o time. O Cruzeiro vai jogar novamente com o time titular, o que começou a partida contra a URT exceto por Dagoberto, que já começou a sentir os efeitos da Chinelite Aguda, doença que o acompanha por toda a carreira. Dizem que hoje é “cansaço muscular”. Ok, a gente finge que acredita. Marcelo Oliveira comentou o caso:

Em um ou outro momento pode ter um cansaco muscular. Aconteceu hoje. Por prevenção, o Dagoberto não vai viajar. Está um pouco dolorido, ele fez uma pré-temporada muito forte, nós conhecemos o histórico do jogador. Não tem lesão nem nada, mas, por precaução, ele não vai. Vamos usar o Willian em seu lugar, e fica outro atleta no banco.

O legal dessa situação (se tem algo legal nisso), é que agora temos opção. E a opção é William, que eu acho melhor para a posição. Temos um belo elenco.

E falando em belo elenco, hoje ele se tornou um pouco menos belo com a saída de Vinícius Araújo. Não, pera, do jeito que escrevi parece que acho Vinicera bonito, ou algo do tipo. Vou reformular. Sem Vinícius Araújo o Cruzeiro perde a beleza em seu elenco. Não, acho que ficou pior. Deixa pra lá.

Se você ainda não sabe do que estou falando, Vinícius foi vendido para o Valência da Espanha pelo valor de 3,5 milhões de euros. O Cruzeiro fica com 85% desse valor e ainda tem 50% de seu passe. Então, se o Valência o vender para o Arsenal por, sei lá, 50 milhões de euros em 2016 para se tornar o melhor jogador do mundo, a gente ganha 25 milhões de euros, tipo 75 milhões de reais e estaremos mais ricos que tudo, podendo queimar dinheiro, zoar por aí, comprar uma Hummer e passar por cima de carros normais na rua; o tipo de coisa que gente muito rica faz. Foi um bom negócio, não é mesmo?

Não. Não foi. Nunca é um bom negócio vender ótimos jogadores. Um time de futebol deve preservar seus melhores talentos e não procurar “bons negócios”. Não somos uma empresa, não temos que vender ninguém. A gente tem que parar com essa mentalidade Perrellística de “ah, vendemos um grande talento, um jogador querido por todos, mas foi um bom negócio”. Bom negócio seria vender o Vinícius Araújo e contratar um cara da mesma idade e três vezes melhor, tipo o caso da venda do Diego Souza. Não, bom negócio mesmo era vender o Anselmo Ramon e conseguir o Messi na negociação. Isso sim seria um excelente negócio.

A gente tem que começar a seu mais “europeu” nesse quesito. Os times de lá não vendem o time inteiro a cada boa temporada, não se desfazem dos seus melhores jogadores porque eram “bons negócios”. Eles tentam ficar com todo mundo, e se não conseguem segurar – por um motivo ou outro – sempre tentam repor à altura ou muitas vezes usam o dinheiro pra contratar alguém melhor. E se vendem um jogador por vontade própria, é sempre para contratar alguém melhor para seu lugar.

Vamos pegar como exemplo o Liverpool. No início dessa temporada na Inglaterra, eles receberam uma proposta de 40 milhões de libras pelo Luis Suarez. E o jogador pediu para sair, foi à imprensa, conversou com a diretoria, fez de tudo para se transferir. Mas a equipe bateu o pé, disse que não ia vender, que o jogador era um dos melhores do mundo e que não conseguiriam alguém melhor para a posição. E ele ficou, e está fazendo uma grande temporada.

É isso que temos que fazer. Lutar mais por nossos jogadores. As equipes europeias vem aqui e pagam qualquer mixaria por nossos jogadores. E nós aceitamos sorrindo, porque “foi um bom negócio”. Agora vai procurar saber por quanto qualquer time europeu venderia um jovem jogador, seu centroavante da base, um cara que todo mundo dizia ter um futuro brilhante. Primeiro, ninguém venderia. Segundo, seria muito caro, muito caro mesmo. Porque eles sabem que jovens talentos são difíceis de aparecer, e cuidam de seus jogadores. Claro, não é todo mundo, tem sempre um exemplo negativo, mas não é regra, como aqui no Brasil, que se vende jogador antes mesmo deles estourarem por suas equipes.

Vinícius Araújo havia jogado apenas uma temporada pelo time principal do Cruzeiro, marcando 11 gols em 27 partidas. Uma ótima marca para um jovem. Pode procurar por aí, duvido que você encontre um centroavante saído da base no Brasil que fez melhor. E ele só tinha a melhorar aqui. Tenho a plena confiança de que Vinícius Araújo ainda vai ser grande, estilo camisa 9 da seleção. Ele comentou a negociação.

Ontem, estava em casa e com cabeça de vir para o treino, e recebi a ligação do Alexandre. Achei que era uma conversa normal. Cheguei aqui, e ele me comunicou sobre a proposta do Valência. Vi que era uma oportunidade muito grande, um grande clube da Espanha. Fiquei muito feliz com a proposta. Claro que, no primeiro momento, tomei um baque, pois não esperava proposta, agora, no final da janela. Mas fiquei muito feliz. Procurei minha família, conversei com todo mundo. Foi uma situação muito boa para mim e para o clube, que sou muito grato, abriu as portas pra mim aos 14 anos de idade. Fico muito feliz. Sigo nova vida, novo rumo. Espero que tudo dê certo.

Também espero que dê tudo certo, vou acompanhar sua carreira no Valência, vou torcer para que ele marque mil gols, e em jogos oficiais, não mais em treinos.

O Cruzeiro, sem duvida, é uma casa para mim, me recebeu muito bem. Tenho de agradecer a todos os funcionários. Saio com dever cumprido pelo Campeonato Brasileiro. Agradeço à comissão; ao Marcelo, por ter me subido ao profissional, ter me dado essa oportunidade; à diretoria, ao Gilvan, por tudo. Agora vou continuar da Espanha torcendo para o Cruzeiro. O título mais esperado é a Libertadores, e espero que Cruzeiro conquiste. Depois vou cobrar uma  camisa para guardar de recordação. Vou acompanhar Cruzeiro. Espero um dia voltar e vestir essa camisa para virar ídolo da torcida.

É triste que ele ainda precise pensar em voltar para se tornar um ídolo. E acho difícil isso acontecer se ele tiver uma boa carreira lá fora. Mas é legal ver que o jogador tem um carinho pela equipe. Tomara realmente que volte e jogue aqui de novo. Pelo menos Vinicera já tem o nome escrito na nossa história por ter participado da equipe que venceu o Brasileirão.

E é isso, vou ficando por aqui que o post ficou grande e está saindo muito tarde. Sabe por que o post está saindo só agora? Porque eu dormi a tarde inteira. E não, não tenho vergonha disso.

Até amanhã.

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Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
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