Cruzeiro 5 x 0 Figueirense – Segundo tempo perfeito

Tempo de leitura: 6 minutos

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Olá amigos!

Que vitória do Cruzeiro ontem. 5 x 0, com direito a um tanto de gol perdido no segundo tempo, todo mundo marcando, jogadas rápidas, passes de primeira, um show de bola, como dizem. E tudo isso com uma chuva chata que deixou o gramado num estado horrível. Antes de trocar o gramado para “padrão FIFA” ele não ficava encharcado desse jeito, ficava? Mas tudo bem, o importante é conseguir vencer mesmo com as condições adversas.

Nosso primeiro tempo não foi tão bom. O Figueirense conseguiu fazer o que foi planejado muito bem. Segurar o ímpeto do Cruzeiro, se fechar atrás da bola e explorar o contra-ataque. E, apesar de termos ficado mais tempo com a bola, eles tiveram as melhores chances. Por três vezes os atacantes adversários ficaram no mano a mano contra nossos zagueiros. Mas em todas suas finalizações a bola pegou na rede pelo lado de fora.

Mas o Cruzeiro não desistia de tentar abrir o placar no primeiro tempo, e numa cobrança de lateral, alguém que não consigo lembrar cabeceou para o meio da área, Marcelo Moreno tinha tudo para marcar – e deveria ter marcado – mas chutou mascado, facilitando a defesa do goleiro adversário e a bola subiu. Ricardo Goulart foi tentar cabecear para o gol e o zagueiro adversário, que olhava para a bola, encostou nele. Nosso meia caiu e o juiz marcou pênalti. Da arquibancada parecia realmente que o rapaz descolou Goulart no alto, mas olhando os lances no site da globo, achei que foi lance normal de jogo, os dois jogadores olhavam para a bola. Na minha opinião não houve intenção do adversário em deslocar Goulart.

Lucas Silva cobrou e gelou meu coração. A bola bateu na trave e sumiu. Lá do outro lado, nas arquibancadas amarelas não deu pra ver onde a bola foi depois do toque. Foram alguns segundos de desespero. Mas aí todo mundo saiu comemorando e fiquei aliviado. Depois disso, o Cruzeiro continuou com o domínio da partida mas não ofereceu grande perigo até o final do primeiro tempo.

Não sei o que esse pessoal bebeu no intervalo, se o Marcelo Oliveira ameaçou a família de cada um dos jogadores, mas o time voltou incrivelmente maluco para a etapa final da partida. Apertando a saída de bola do Figueirense, tirando todos os espaços. Os jogadores queriam decidir logo a partida. E conseguiram. Com um minuto de segundo tempo, Marcelo Moreno recebeu bola roubada no ataque e ajeitou para Marquinhos, que acertou belíssimo chute de fora da área para marcar o segundo e mais belo gol da noite. Logo depois, em mais uma pressão do Cruzeiro, Éverton Ribeiro bateu falta com perfeição, na cabeça de Dedé – que voltou meio fora de ritmo, ainda sentindo a lesão. Três a zero e fim de jogo.

A partir daí o Cruzeiro ficou tocando bola, administrando o jogo, esperando oportunidades claras para marcar mais gols. Pra mim, o jogo não sairia mais disso. O Cruzeiro tocando bola e o Figueirense assistindo. Mas Marcelo Oliveira colocou Dagoberto e Marlone em campo, tirando Marquinhos e Marcelo Moreno, e o time voou. Marlone entrou muito bem, fazendo tabelas rápidas com Éverton Ribeiro e Goulart e o time começou a atacar de novo. Após neutralizar uma jogada ofensiva do Figueirense, o time partiu para o contra-ataque com Marlone, Goulart e Éverton Ribeiro tabelando de forma incrível. Nosso camisa 17 recebeu a bola no lado direito da área e cruzou perfeitamente na cabeça de Goulart, que fez mais um gol para o Cruzeiro e para se isolar na artilharia do campeonato.

Depois foi a vez de Mayke entrar no lugar de Ceará, e meu Deus, como esse menino é bom de bola. O time ganhou muito mais força ofensiva pela direita e em um de seus cruzamentos Dagoberto marcou o quinto e último gol do Cruzeiro na partida. Grande vitória após maravilhoso segundo tempo.

Duas coisas que gostei bastante e talvez seria até interessante para o Marcelo Oliveira testar:

– O time sem centroavante, com Goulart na função;

– Mayke no lugar do Ceará, e Samúdio no lugar do Egídio (que não acho mal jogador, vou explicar abaixo).

Eu sei que sempre fui contra colocar o Goulart de centroavante, porque ele joga melhor vindo de trás, como surpresa, aproveitando os espaços que o adversário deixa na marcação. Mas ele está numa fase maravilhosa, acertando tudo quanto é gol, e acho que o Cruzeiro pode aproveitar isso. Além do mais, nosso time tem muito meia atacante bom, e pouco centroavante bom. Eu gosto do Marcelo Moreno, adoro o Borges, mas acho que estamos deixando muitos meia-atacantes de qualidade no banco para colocarmos em campo centroavantes que não estão sendo efetivos. Mas como diz o ditado, não vamos mexer em time que está ganhando. Pelo menos por enquanto. Mas com a entrada do Marlone o time jogou de forma tão maravilhosa que fiquei impressionado.

Outro que me impressionou foi o Mayke. Quando ele entrou em campo o time mudou o foco do ataque. Era bola nele, tabelas rápidas, as jogadas começaram a surgir, e até saiu o último gol dali. Eu sou, aparentemente, o único defensor do Egídio no mundo. Consigo ver suas qualidades, como o excelente cruzamento, a boa opção para a saída de bola, o ótimo apoio ao ataque. Mas também reconheço seus problemas. O passe ruim, sem pensar, no pé do adversário, a falta de noção defensiva, a avenida deixada nas costas. Talvez seja hora de apostar em Mayke, deixar o Ceará como a opção interessante para um jogo mais pegado. E como eu sei que Marcelo Oliveira prefere um lateral atacante e um defensor, acho que poderíamos colocar em campo Samúdio, que – apesar de atacar bastante – faz melhor o papel que Egídio.

Depois do jogo a imprensa perguntou a Marcelo Oliveira sobre o desempenho incrível que a equipe vem tendo. São 77,8% de aproveitamento dos pontos nessa temporada, superior aos 66,7% da passada – quando o Cruzeiro foi campeão com até certa facilidade. Mas nosso treinador já cancelou todo esse papo, disse que nem lembra mais o que aconteceu em 2013:

A gente não está pensando no que passou, mas sim no campeonato longo que temos pela frente, um caminho longo e difícil. Vamos encontrar adversários difíceis em circunstâncias diferentes. Não podemos nos sentir confortáveis com isto. Quando as coisas não saem bem, você não pode se abater tanto, e quando as coisas saem bem, você não pode ter euforia. Vamos trabalhar para fazer uma semana melhor do que a que fizemos porque o próximo jogo é o mais importante para nós.

Com essa humildade toda, daqui a pouco o Marcelo Oliveira vai começar a doar pontos para os times mais necessitados. Mas é isso mesmo Marcelo, tem é que ficar esperto porque peixe morre pela boca. Apesar de que nós não somos peixes e sim raposas, e acho que raposas morrem caçados ou comendo uvas estragadas, se não estou confundindo os contos infantis.

Ele também falou sobre as retrancas, e o porquê do time melhorar nos segundos tempos dos jogos:

Por mais que os adversários venham para marcar muito e ocupar espaço, eles têm um desgaste maior que o nosso. Marcar desgasta mais do que jogar, principalmente um time com jogadores técnicos com o Cruzeiro. Ninguém consegue marcar o tempo todo com a mesma precisão e o mesmo espaço.

Ou seja, eles aguentam segurar o Cruzeiro por um tempo, mas depois não conseguem acompanhar. É por isso que estamos sempre matando os jogos na etapa final. É quando a perna pesa, a marcação fica mais frouxa. E nossos atacantes aproveitam.

E é isso. Vou aproveitar o segundo tempo aqui do texto para ir embora.

Até amanhã.

  • Que jogo <3
    Ótima crônica

    • mikerenzetti

      Obrigado! Foi um jogo maravilhoso mesmo

  • William

    Excelente crônica. Parabéns!
    E o jogador que cabeceou ao qual vc não lembrou foi o Henrique xD

    • mikerenzetti

      Valeu!

  • Você não era o único defensor do Egídio (eu também gostava dele), mas depois do jogo de ontem acho que é. Tem algumas jogadas que parece que ele não está pensando direito e esquece que tem outros jogadores do outro lado. Samúdio e Mayke (que joga muito digasse de passage) poderiam ser a melhor opção no momento pra equipe.

    • mikerenzetti

      Também acho. O Egídio faz coisas boas, mas também tem muitos problemas – principalmente na defesa.