São Paulo 2 x 0 Cruzeiro – Tá ruim mas tá bão

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Isso que dá deixarem Arnaldo Ribeiro escrever manchetes. Daqui a pouco o São Paulo é o favoritaço ao título.

Olá amigos, eu voltei – e agora pra ficar (talvez).

Hoje eu acordei descansado o suficiente para voltar a escrever aqui. A vida estava difícil, e acordar seis horas da manhã não estava sendo uma prioridade. Mas acho que tinha outro problema pra eu não escrever. O campeonato estava muito chato. E fácil.

O Cruzeiro acabou de perder seu terceiro jogo no campeonato. Em setembro. Hoje o pessoal diz que “temos um campeonato” quando o segundo colocado está a quatro pontos da gente. Não é o campeonato mais disputado que já vi. E apesar de ser legar ver o Cruzeiro ganhando facilmente tudo quando é jogo, fica meio que previsível e sem assunto. É um first world problem, um classe média sofre. É ridículo, mas verdade. “Ah, o Cruzeiro ganhou de novo”, “o Cruzeiro goleou mais um adversário”, “o Cruzeiro humilhou outra equipe”. Como dizem os ~publicitários otários~ “isso não vende”.

O povo (eu incluso) gosta de tragédia, e acho que é bem mais fácil e tem muito mais assunto quando precisamos mostrar o que há de errado, ou defender o time dos imediatistas, ou dos malucos que torcem e odeiam o Cruzeiro ao mesmo tempo. E nesse jogo contra o São Paulo teve isso. Toda a tragédia de nossa primeira derrota desde antes da Copa do Mundo para um ótimo adversário, em ótima fase, em seus domínios.

O jogo foi muito bom, muito bem jogado, e o Cruzeiro dominou boa parte do primeiro tempo. Poderíamos ter saído na frente logo no início, quando Rogério Ceni fez uma de suas rogerices e foi até o meio-campo lançar a bola na cabeça de um jogador do Cruzeiro. Ela sobrou para Goulart, que quase encobriu o goleiro são-paulino. Mas a primeira chance do jogo foi do São Paulo. Numa falta – que não foi falta – a bola chegou fácil para Rafael Tolói que cabeceou com o ombro jogando para fora. Mayke achou – em belo cruzamento – Ricardo Goulart sozinho na grande área. Mas o meia cabeceou diretamente para o chão, deixando a bola nas mãos de Rogério Ceni e desperdiçando uma chance clara de gol.

Tivemos outra chance com Ricardo Goulart, que chutou no ângulo para bela defesa de Rogério. E depois a besteira do primeiro gol.

Mayke tinha a bola dominada na direita, tentou inverter para Ceará na esquerda, mas acabou jogando diretamente no pé do adversário. A defesa foi pega completamente desarrumada e Dedé acabou fazendo pênalti em Ganso. Acho que Léo e Ceará deveriam ter parado o jogo com falta, mas também acho que Dedé poderia ter sido um pouco mais cuidadoso na jogada. Poderia apenas cercar o jogador são-paulino.

Rogério Ceni bateu e marcou o primeiro gol do São Paulo. Foi pênalti e o Dedé até que podia ser expulso. Mas acho que foi uma falta tão inocente, sem força, numa jogada que não era tão perigosa assim. Por isso entendo que o segundo amarelo não foi mostrado. Não é em toda falta na área que deve ser mostrado o amarelo.

Depois do gol o Cruzeiro deu uma murchada e o São Paulo cresceu. Alan Kardec achou Kaká livre na grande área e Fábio teve que fazer uma bela defesa para evitar o 2 x 0.

No segundo tempo o Cruzeiro caiu muito fisicamente e o São Paulo aproveitou. Criou muitas chances e acabou conseguindo marcar o segundo gol em uma jogada de escanteio. A zaga marcou muito mal e deixou Alan Kardec sozinho no meio da pequena área. O jogador cabeceou livre para grande defesa de Fábio, mas a bola sobrou livre para  ele mesmo marcar.

A partir daí o São Paulo se fechou completamente atrás da bola, esperando o Cruzeiro para contra-atacar em velocidade e definir o jogo. Mas o Cruzeiro não conseguiu escapar da forte marcação e não apresentou muito perigo, apenas uma jogada em que, após bola rebatida, Alisson ficou de frente para o gol e chutou para fora – passando bem perto da trave de Rogério Ceni.

Não foi a melhor das partidas do Cruzeiro, mas a equipe jogou até razoavelmente bem. Achei o time muito cansado, e desanimado com os gols adversários. Faltou velocidade e poder de decisão para nossos meias e atacantes. As jogadas do Cruzeiro eram bem marcadas porque a equipe demorava a tocar a bola, não decidia o que fazer, coisa que a gente não está muito acostumado a ver. Alisson, que normalmente é tão incisivo, ficou a maioria do tempo isolado na esquerda fazendo jogadas individuais. Faltou alguém para jogar junto, o Egídio.

Nossa saída de bola também estava ruim, tanto que o gol saiu de uma jogada errada de Mayke. Normalmente, a saída de bola do Cruzeiro é pela esquerda… com o Egídio. Os dois gols deles saíram de jogadas pela esquerda – no primeiro, após a bola mal atravessada, Pato serviu Ganso nas costas de Ceará; no segundo, um cruzamento pela esquerda levou Fábio a rebater a bola, Édson Silva a finalizar, e Fábio jogar para fora. Faltou um lateral esquerdo de ofício – faltou Egídio. Desde que nosso lateral esquerdo se lesionou, a equipe passou a tomar dois gols por jogo, antes era menos de um.

Mas está tudo bem. O Cruzeiro não vai ganhar todo jogo. E nada mais comum do que perder para uma ótima equipe, que vem em grande fase e estava jogando em casa. Não é o fim do mundo. Tanto porque estamos com quatro pontos de vantagem para o São Paulo, mesma diferença do ano passado para o Botafogo.

Então é isso. Até algum dia (tomara que seja amanhã).

  • Faltou só você falar do……………. Egídio.
    Tem gente cornetando tanto que dá até preguiça, esquecem de quem é o líder e quem tem gordurinha para queimar.
    Seremos Campeões e não se esqueça (♫)