Quarta-feira não terá mais – Ricardo Goulart é oficialmente vendido

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Olá amigos!

Sim, eu sei que é de noite e prometi os textos de dia, mas o Ricardo Goulart foi vendido. Então não se pode ter tudo na vida. Além disso, eu estava num bar bebendo para afogar todas minhas mágoas de ter nosso melhor jogador em 2014 vendido para a China. A CHINA cara, China. Mentira, eu estava trabalhando. Mas queria ter bebido para afogar todas minhas mágoas mesmo.

Mas, sério, China cara. O pior lugar da terra para se jogar futebol. Acho que nunca vou superar isso. Apesar de que, ao que parece, ele vai receber um milhão de reais por mês sem impostos. Imagina isso. Um milhão de reais todo mês caindo na sua conta. Você vira milionário em um dia. E no caso dele é jogando futebol. Melhor cenário.

Tento pensar que se fosse eu, rejeitaria a China e ficaria no Cruzeiro ganhando uma boa grana e títulos. E esperaria até meus 26, 27 anos (se fosse o Goulart, pois passei disso na vida real já) um grande time europeu ver todo meu futebol de melhor jogador da historia do Brasil e me contratar para ser titular e vencer a Champions League. Grande plano hein?

Mas a realidade é que o eu-Goulart poderia se machucar no início de 2015 jogando contra o Valério pelo Campeonato Mineiro, perder quase um ano de futebol, voltar e não ter mais espaço no time. O que poderia ser um contrato de um milhão de reais na China pode passar a ser um empréstimo para o Botafogo ou Vasco, diminuição de salário e nunca mais disputar uma competição em alto nível. Futebol tem dessas coisas.

Muita gente não achava o Goulart grande coisa, que 15 milhões foi demais, que ele não tem nível para a seleção brasileira, etc. Eu discordo completamente. Acho Ricardo Goulart um excelente jogador, um tipo que é difícil encontrar. Rápido, forte, marcador e goleador. Como os ingleses dizem, um meia box to box, que se movimenta de uma área até a outra. Se ele fosse martinense ou francês e se chamasse Ricardê Goulê, seria considerado a maior promessa da história do futebol moderno.

Ele chegou ao Cruzeiro pouco conhecido pela torcida e cercado de desconfiança. Após um 2011 terrível e um 2012 ruim, queríamos um novo Cruzeiro, que pudesse brigar por títulos, mas não tínhamos nenhuma esperança na montagem de um time forte. Ricardo Goulart parecia apenas mais uma aposta no meio de várias contratações. Diego Souza e Dagoberto, juntamente com Borges – que havia chegado antes – pareciam reforços mais certeiros. E Goulart foi conquistando seu espaço. Em 2013, fez 50 jogos (em 60 do Cruzeiro), marcando 14 gols. Já em 2014 – seu melhor ano pela equipe – fez 49 jogos (de 71 do Cruzeiro) e marcou 20 gols. Foi o vice artilheiro da equipe no Brasileirão e o artilheiro da equipe na Libertadores. Saiu do Brasil bicampeão brasileiro com 25 gols em 59 jogos. Um desempenho fantástico para um meia. Números quase que EXIGIDOS do site FutDados.

Agora é chorar um pouco essa perda e esperar a reposição que os dirigentes do Cruzeiro prometeram. Valdir Barbosa disse:

É uma posição que vai ter que ser suprida de alguma forma. O Goulart era uma peça fundamental no plantel do Cruzeiro. Estamos trabalhando para que um grande jogador possa vir no lugar do Goulart.

Às vezes é difícil encontrar de imediato um substituto à altura. Desde que surgiu a chance de negociar o Goulart, já começamos a procurar um substituto.

Muita gente está desesperada, achando que esse é o começo do fim dessa bela equipe – que já teve as saídas de Dagoberto, Borges e Egídio. Mas acho que é uma tempestade num copo d’água. O Cruzeiro tem uma excelente base com Fábio, Mayke, Dedé, Bruno Rodrigo, Manoel, Leo, Lucas Silva, Henrique, Éverton Ribeiro, Alisson e Willian. Além das novas contratações, Leandro Damião e Joel, que são boas apostas. E agora a equipe tem mais 22,5 milhões de reais para pagar todas as contas e tentar contratar uma reposição para Goulart. E tenho bastante confiança que vamos conseguir repor bem essa perda. Talvez não com a grife que estamos esperando, mas com um jogador que consiga preencher os mesmos requisitos necessários para a posição. Marcelo Oliveira consegue identificar bem novos talentos e pode descobrir nosso próximo grande meia.

É uma grande perda, mas não é o fim do mundo (tomara).

Até amanhã.