A melhor chance de vencer no Independência ou jogo 11 x 10 você tem que ganhar

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Olá amigos.

Estamos aqui com mais uma tentativa frustrada de escrever textos numa base constante. Sabemos que o fracasso é iminente, mas sou brasileiro e fico com preguiça de desistir.

O clássico de ontem foi, sem sombra de dúvidas, a nossa melhor chance de vencer no Independência desde que o Atlético pediu ao América se eles “podiam dormir alguns dias em sua casa”.

O Cruzeiro jogou bem, teve mais chances de marcar, ficou por 30 minutos com um jogador a mais, e mesmo assim saiu sem a vitória. Algumas pessoas se ligaram mais ao fato de ficarmos com um a mais para a frustração de mais um jogo sem vencer o Atlético, mas eu acho que se tivéssemos aproveitado nossas chances no “11 x 11”, e defendido um pouquinho melhor, venceríamos sem problemas.

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Vamos começar por Damião. O melhor jogador do Cruzeiro em 2015 foi bastante participativo, se movimentou muito bem, deu trabalho para a defesa adversária – chegando até a “expulsar” Leonardo Silva – mas falhou na hora H. Teve duas chances claras de gol que desperdiçou. A primeira, quando o jogo ainda estava 0 x 0, foi uma cabeçada sem marcação que acertou a trave. Não é o pior erro da terra, pois – não sei se você sabe – a trave é do lado do gol. Mas do lado mesmo. Alguns centímetros por lado e estaria 1 x 0.

A segunda chance foi num cruzamento de Fabrício, que fez uma boa estreia. O lateral colocou a bola na área e Damião errou, novamente sem marcação, cabeceando a bola na rede pelo lado de fora. Para ser completamente justo com Damião, Leonardo Silva resvalou na bola atrapalhando sua trajetória, mas para um centroavante de seu calibre continuava uma chance relativamente fácil de marcar.

Agora vamos passar para a defesa. O setor defensivo do Cruzeiro se comportou muito bem durante toda a partida. O Atlético teve apenas duas chances reais de gol. Uma com Dátolo, que sem ângulo chutou para a defesa de Fábio, e a outra foi o gol. E o gol, na minha opinião, foi uma das coisas mais frustrantes do universo futebolístico. Confira comigo no replay.

Guilherme pegou uma bola no meio-campo pela esquerda e viu Luan, sempre ele, correndo loucamente nas costas de Mena. Não culpo nosso lateral pelo lance, pois foi muito mais um improvável acerto do Atlético que um erro dele. Não dá para esperar que o lateral consiga cortar todas as chances de cruzamento de um adversário, ainda mais uma virada de bola tão surpreendente.

Luan dominou e jogou para a área, local da minha frustração. Lá, só Paulo André e Fabiano “marcavam” seus adversários. Coloco marcavam entre aspas, pois Fabiano estava apenas olhando para a bola e não acreditou que ela passou, indo a sua direção. Carlos, muito mais esperto, se antecipou e marcou o gol atleticano.

"desnecessauro esse gol"

“desnecessauro esse gol”

A partir daí, um jogo que estava em nosso favor mudou, e o Cruzeiro teve que correr atrás de mais um resultado, o que é sempre mais difícil. O Atlético se fechou um pouco mais, nos esperando para matar o jogo no contra-ataque. E depois da expulsão esse cenário piorou. Luan virou uma espécie de segundo lateral-direito, Dátolo volante e Guilherme meia. Depois Cárdenas entrou para dar um gás novo ao meio-campo da equipe, e fechou ainda mais os espaços cruzeirenses.

Nosso time ainda não está bom o suficiente para bater times pequenos que se fecham, imagina o maior rival, jogando em sua própria casa. A conta “11 x 10 tem que ganhar” não é tão exata assim. Muitas vezes já vimos o time com um jogador a menos conseguir segurar o resultado. Dava para ter vencido mais facilmente no 11 x 11.

Marcelo Oliveira comentou a situação de ter um jogador a mais e lamentou a falta de imposição física da equipe no final da partida:

“Depois da expulsão tínhamos que ter feito imposição maior física pelos jogos do meio de semana, e isso não aconteceu nos 20 minutos finais. Perdemos a chance de ganhar na imposição física, mas o Atlético teve mérito para se defender.”

É aquela situação. É lógico que o time com um jogador a mais tem mais chances de vencer a partida, mas ontem o Atlético fez o necessário para sair com o empate. Após a expulsão não tivemos mais nenhuma chance clara de gol, o que vinha acontecendo durante toda a partida.

E não é porque nossos jogadores desistiram de ganhar, não tiveram raça, garra, vontade, ou qualquer outra expressão sem nexo que só serve para explicar o que você não sabe explicar. É porque o Atlético fez uma ótima marcação e o Cruzeiro não teve força suficiente para se impor, pressionar, e conseguir o gol. E isso vem sendo um problema da nossa equipe durante todo o 2015. Não conseguir se impor e marcar os gols necessários mesmo tendo muito mais qualidade que o adversário. É só se lembrar dos dois primeiros jogos da Libertadores ou dos dois últimos da fase de classificação do Campeonato Mineiro.

Apesar dos pesares, o Cruzeiro vai para o Mineirão com a vantagem dos dois empates para se classificar para a final, e espero que esse tabu incômodo de não vencer o rival seja destruído com uma boa vitória. Se não der, que pelo menos consigamos o empate e a vaga na final – que não serve para nada, a não ser rir do Atlético eliminado na semifinal.

Até a próxima.