Não falta diretor, nem meia, nem pulso firme – falta entrosamento

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Olá amigos.

Após uma derrota normal para o Atlético, na qual o Cruzeiro foi superior pela maior parte do tempo, a torcida resolveu “cobrar” a diretoria e tentar coagir Gilvan – presidente que ajudou o clube a conquistar dois campeonatos brasileiros seguidos. Para eles, falta um diretor de futebol, pois após a saída de Alexandre Mattos ninguém assumiu o posto, falta outro meia – que é cobrado até por Marcelo Oliveira –, e falta pulso firme para lutar contra todo mundo que nos prejudica nos bastidores. Mas para mim o que realmente falta é entrosamento entre os novos contratados.

A acusação de faltar um diretor de futebol é até válida num primeiro momento. Realmente Alexandre Mattos saiu após fazer um bom trabalho e ninguém foi contratado para seu lugar. Gilvan, Benecy e Valdir assumiram essa posição e negociaram diretamente com os jogadores contratados. E discordo dessa torcida justamente na parte dos jogadores. Para eles, todos os contratados são de nível abaixo dos que saíram e que as contratações foram mal feitas.

Para mim, o Cruzeiro fez boas contratações. Leandro Damião é melhor que Marcelo Moreno e Borges; De Arrascaeta é um jovem com muito potencial, jogando um belo futebol – às vezes errático, pois tem apenas 20 anos –; Paulo André é um bom líder e um jogador importante para cobrir as lesões que atacaram nossos zagueiros nesse início de ano; Willians é um excelente volante, forte, marcador, bem superior a Nilton; Joel parece ser um jovem talento prestes a amadurecer; e Mena é um lateral razoável que cumpre um bom papel defensivo.

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Chega a ser absurdo o torcedor querer cobrar jogadores de mesmo nível chegar para suprir nossas vendas. O Brasil não está num bom momento para novos talentos, e encontrar alguém do mesmo talento de Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart ou Lucas Silva não é fácil. Não foi à toa que os clubes que os compraram pagaram tão caro. E mesmo se encontrarem os tais jogadores de mesmo nível, duvido que em quatro meses eles conseguiriam se entrosar para jogar ao mesmo nível que o Cruzeiro de 2013/14.

Claro que o time fez más contratações também (como Alexandre Mattos havia feito). Riascos, para mim, foi um grande erro, Seymour foi uma aposta ruim para o meio-campo, e a reintegração de Charles até agora não fez o menor sentido. Mas isso acontece. Todo time está sujeito a contratações ruins. Ainda mais quando se precisa reformular toda uma equipe.

Mas o saldo é positivo. O time titular do Cruzeiro é muito bom. Só não está jogando tão bem. Olhem para essa escalação:

Fábio, Mayke, Léo, Paulo André e Mena; Willians e Henrique; De Arrascaeta, Willian e Alisson; Damião.

Alguém consegue afirmar que essa equipe, com seis bi-campeões brasileiros, é ruim? Que Damião não entrou muito bem? Que Willians não é superior a Nílton? Que Paulo André não é um líder em campo, um zagueiro inteligente (apesar dos erros)? Que De Arrascaeta é muito talentoso e vem fazendo gols decisivos? Uma coisa é estar insatisfeito com os resultados da equipe, outra é queimar um ótimo time que ainda não deu liga por conta de alguns jogos ruins.

Essa partida pelo Campeonato Mineiro contra o Atlético veio na pior das horas para nosso clube. Um campeonato que não vale nada está colocando em “crise” uma equipe em fase de reformulação que ainda está viva na Libertadores. Vamos aos números do Cruzeiro em 2015:

Libertadores:

5 jogos = 2 vitórias, 2 empates e 1 derrota. 6 gols marcados e 3 sofridos.

Campeonato Mineiro:

13 jogos = 7 vitórias, 4 empates e 2 derrotas. 25 gols marcados, 10 sofridos.

Total:

18 jogos = 9 vitórias, 6 empates e 3 derrotas. 31 gols marcados e 13 sofridos.

Esses números – que, claro grandes espertalhões do futebol, não mostram TUUUUUUDO o que acontece em campo, etc, etc – são de um time ruim, com péssimas contratações? Longe disso. São números de uma equipe em construção, que ainda não aprendeu a jogar junta. Não aprendeu a criar tantas chances quanto a de 2013/14 e concretizar essas chances. Isso explica o tanto de empates. O Cruzeiro não está entrosado, harmonioso e fluente o suficiente para se livrar de retrancas. Na maioria dos jogos que terminou empatado, nossa equipe só não venceu por essa falta de criatividade. Por exemplo, os dois primeiros jogos da Libertadores.

Não devemos comparar nem esperar resultados parecidos com as do Cruzeiro de 2014. Esse era um time bem estruturado, campeão brasileiro, que jogava por música. E mesmo assim, aquela bela equipe se complicou na Libertadores. E a de 2013 foi derrotada no Mineiro perdendo por 3 x 0 para o Atlético e saiu nas oitavas da Copa do Brasil não conseguindo bater o Flamengo. Todas tiveram seus problemas.

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No quesito de “falta meia” também não entendo todo o alarde. De Arrascaeta vem tendo um ótimo desempenho na função. Não joga no mesmo estilo de Ricardo Goulart, mas acrescenta algo novo ao time. E vem fazendo gols importantes nas últimas rodadas. Marcou o de empate contra o Atlético na primeira semifinal do Mineiro, e abriu o placar na segunda. Se chegasse outro meia, ele seria deslocado para o lado de campo? Seria reserva? Acho um desperdício, pois está se desenvolvendo muito bem por ali.

O que falta ao time em criação são as jogadas pelos lados de campo, que eram o forte do Cruzeiro de Éverton Ribeiro. O ex-camisa 17 era o ponto focal da equipe, que despejava todo tipo de jogada naquele lado e esperava algo. E quase sempre era recompensado com uma boa troca de passes, lançamentos e passes para gols. Por mais que Marquinhos e Willian sejam bons jogadores, com força e velocidade, não conseguem desempenhar papel semelhante. E Alisson, que seria minha aposta para a vaga, não consegue se firmar pelas várias lesões. Não acho que falte um meia, e sim se adaptar a nova maneira de jogar. Mas claro, se viesse um Lucas Lima da vida, ficaria mais que feliz.

A última coisa, pulso firme nos bastidores, é a mais sem propósito possível. O que fazer quando um presidente de federação age de má fé para te prejudicar? Quando lhe é negado, em diversas instâncias, o pedido de adiamento de partidas? Ainda mais quando se tem toda a lei, regulamento, tudo quanto é prova do seu lado? O que falta é o futebol ser sério, as federações protegerem seus clubes e não prejudica-los, falta todo o restante das equipes e pessoas envolvidas ser tão profissionais quanto o Cruzeiro. Nossa equipe não pode se desculpar por agir dentro da lei e tentar fazer o certo. Deveria ser ao contrário.

Até a próxima.