Resultado do clássico é irrelevante, Cruzeiro só errou em jogar com os titulares (e vários gols)

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Olá amigos.

Ontem o Cruzeiro perdeu o clássico de uma forma a qual estamos ficando perigosamente acostumados. Jogar melhor, dominar a partida, e levar gols rápidos quando o adversário oferecia pouco perigo.

Antes do primeiro gol aos 9 minutos do segundo tempo o Atlético havia chutado apenas uma bola para fácil defesa de Fábio. O Cruzeiro dominava e não deixava o adversário chegar com facilidade ao ataque. Enquanto isso já havíamos marcado o primeiro gol e estávamos em cima do Atlético para marcar o segundo.

Talvez a única outra crítica que tenho a Marcelo Oliveira (além de ter usado o time titular numa partida inútil) foi não ter um plano para a entrada de Guilherme, que mudou o jogo. Se você assistiu a qualquer jogo do Atlético desde a volta do ex-cruzeirense, sabe que ele faz muita diferença para a equipe. Bons passes, ótimo posicionamento e lançamentos que pegam o adversário desprevenido. Foi de um super lançamento do Guilherme que levamos o gol no Independência.

Com isso em mente acho que nosso técnico poderia ter modificado o time para lidar melhor com a presença de Guilherme em campo. A entrada de Mena no lugar de De Arrascaeta foi positiva para fechar o lado esquerdo, mas Fabrício já estava dando conta de Luan. Era preferível que um volante, ou meia mais marcador, tivesse entrado para colar no camisa 17 do Atlético.

Guilherme, ajudado pela expulsão de Fabiano, teve mais liberdade em campo e conseguiu dar as duas assistências para os gols. Apesar de que os dois volantes deveriam ter feito um trabalho melhor mesmo com um jogador a menos.

Se você parar o primeiro lance de gol do Atlético (como na imagem abaixo) vai ver que Guilherme e Lucas Pratto eram “marcados” por cinco jogadores. Fabiano vinha marcando Lucas Pratto e o “deixou” para Paulo André, Willians e Léo ficaram olhando Guilherme dominar, esperar a movimentação do centroavante e fazer o passe. Não foi por “buraco na defesa”, “falta de meio-campo”, nada do tipo. O gol saiu de uma bela jogada adversária, ajudada por uma marcação frágil, que mais olhou do que defendeu.

primeiro-gol-atletico

Já o segundo gol saiu de uma jogada absurda. O juiz não conseguiu ver que Edcarlos chutou Leandro Damião no rosto e deu bola para o Atlético no lance. O centroavante do Cruzeiro saiu de campo e a equipe ficou com nove jogadores de linha para se defender do ataque adversário. Após a partida Damião até disse que o lance não foi determinante para a derrota, mas eu discordo completamente. Não fosse a não marcação da falta, o Cruzeiro teria a bola em seu domínio aos 43 minutos do segundo tempo e uma boa oportunidade na bola parada. E é como dizem, se você está com a bola não pode levar gol. Claro, o Atlético poderia ter se defendido bem da falta e feito um gol no contra-ataque, e isso teria sido justo. Como poderia ter levado o gol na falta, ou o Cruzeiro ter chutado para fora e segurado o restante da partida. Mas o que não poderia ter acontecido é o time que fez a falta ter tirado um jogador de campo e ficado com a bola, pronto para atacar uma equipe com nove jogadores de linha. E pior, chega a ser sacana, de má-fé, falar que não se pode reclamar do árbitro numa jogada dessas. É papel do juiz marcar as faltas da partida, ainda mais uma jogada tão forte e clara como essa.

É justo dizer também que Damião voltou a campo para o lance do gol do Atlético. Mas voltou aos 43 minutos do segundo tempo, machucado, lá do ataque, e não conseguiu ao menos fazer número atrás da bola para impedir o Atlético de atacar com liberdade. Como podemos ver na imagem abaixo, ele até tentou seguir Guilherme, mas não aguentou. Outra coisa negativa foi o posicionamento de Mayke, que deixou o jogador atleticano seguir com a bola sem se aproximar, pensar e cruzar com facilidade.

segundo-gol-atletico

Nesse meio tempo, De Arrascaeta, Willian, Damião e Léo perderam gols fáceis, sem marcação, que poderiam ter definido a partida. É outra marca desse Cruzeiro. Erra demais na finalização e leva os gols nas únicas chances que o adversário tem. Willian recebeu uma bola frente a frente com Victor que não deveria ter desperdiçado, Damião recebeu um passe quase na pequena área, conseguiu dominar e virar e acabou chutando fraco, De Arrascaeta tentou uma bicicleta num excelente passe e Léo recebeu um cruzamento perfeito na pequena área, e sem marcação, conseguiu cabecear para fora.

No geral, foi uma boa partida do Cruzeiro, que dominou, criou boas chances de gol, mas no fim acabou punido por uma expulsão boba, falta de pontaria lá na frente e marcação frouxa em momentos decisivos. Mas digo novamente, foi um resultado irrelevante, de uma partida que nada valia, e que vai atrapalhar os jogadores no único jogo que realmente importa, que é a decisão pela vaga nas oitavas de final da Libertadores.

Muita gente defendeu o time titular no clássico, uns dizendo que “é importante vencer o Atlético”, “a maioria da torcida prefere clássico”, outros dizendo que “o time não vai vencer a Libertadores mesmo” e eu nem preciso dizer que absurdo é cada uma dessas afirmações. É importante vencer o Atlético? Sim, mas não ao ponto de se prejudicar numa competição de verdade. A torcida prefere clássico? Não importa, o clube não deve basear todas suas decisões na preferência do torcedor, porque senão a gente trocaria os títulos brasileiros por vitórias em clássicos e já teria demitido o Marcelo Oliveira. O time não vai vencer a Libertadores? É provável, tem muita equipe jogando futebol melhor, mas se você entra numa competição (de verdade, não campeonato mineiro) você tem que jogar com tudo, para vencer, e já foi mais do que provado que em futebol tudo pode acontecer e nem sempre o melhor ganha. São apenas mais nove partidas na Libertadores, e consigo ver o Cruzeiro vencendo todas em casa e empatando fora. Não é o fim do mundo. E outra, que tipo de torcedor não confia no próprio time ou torce para ele vencer um campeonato? Deve ser muito triste essa vida.

Até a próxima.