O que deu errado no Cruzeiro 2015?

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Olá amigos.

Ontem fiz um texto voltando ao blog, comentei as notícias do dia e falei um pouco sobre nossos problemas em 2015. E uma coisa que ressaltei no texto anterior foi que não sabia que o que havia acontecido para o time não funcionar nessa temporada. Hoje, após reler o texto e conversar com pessoas no twitter, cheguei a algumas conclusões.

Não acho nosso elenco ruim. Na verdade, acho que temos ótimos jogadores em algumas posições. Jogadores que poderiam ser titulares em várias equipes que disputam o brasileirão. Quando estávamos na Libertadores, antes de disputar as partidas contra o São Paulo (que pra mim é o maior candidato ao título do brasileirão), alguns especialistas fizeram um “raio-x” comparando nosso time titular com o deles. E vencemos na maioria das posições.

Como um time que venceu o São Paulo por 8 x 2 nesse raio-x é horrível, como alguns dizem? Não acho que esse seja o caso. Fábio, Mayke (quando joga futebol e não aparece dopado em campo), Manoel, Bruno Rodrigo, Willians, Henrique (quando joga futebol e não aparece dopado em campo), De Arrascaeta, Willian e Leandro Damião, pra mim hoje são jogadores que poderiam tranquilamente jogar na equipe titular da maioria dos clubes que disputam o brasileirão nessa temporada. O time, nome a nome, é bom.

Mas então por que não estão jogando bem?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. A equipe DEVERIA estar jogando muito mais. Deveria estar rendendo. O nível dos jogadores é alto, não somos um emaranhado de jogadores fracos, como muitos dizem. Mas não está funcionando.

Marcelo Oliveira não conseguiu fazer esse time jogar. As grandes partidas em 2015, sob seu comando, foram contra São Paulo em casa e River fora. Principalmente no jogo contra o São Paulo a equipe rendeu muito. Fez um jogo excelente, marcando bem, defendendo bem, atacando com força e marcando o gol necessário para a vitória e classificação nos pênaltis. Poderia até ter vencido a partida no tempo normal se De Arrascaeta acerta aquele gol feito que chutou para fora.

Tem algo bom nessa equipe. Mas só aparece às vezes. E na maioria do tempo não funciona. Mas tem algo bom, algo que Marcelo Oliveira não conseguiu tirar do time. E por isso foi demitido. Vanderlei Luxemburgo chegou ao Cruzeiro e conseguiu fazer o time funcionar contra o Atlético. Foi outra grande partida da equipe. Mas contra o Flamengo o jogo não foi bom, apesar da vitória; e contra o Vasco achei que o time foi mal, mas conseguiu aproveitar suas oportunidades. Já contra a Chapecoense, o time voltou a apresentar o futebol ruim que pautou toda a temporada até aqui. Mais uma derrota em casa para um time que mais se defende que ataca. E percebi um certo padrão.

O Cruzeiro não vem conseguindo jogar bem em casa, não consegue repetir o desempenho maravilhoso de 2013/14 que ajudou muito nas conquistas dos títulos brasileiros. São 15 jogos disputados em casa, 5 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. 44% de aproveitamento. Um desempenho pífio, de time fraco. Acho que isso pode ser explicado.

Após os dois títulos conquistados, o Cruzeiro se tornou a principal referência no futebol brasileiro, o time a ser batido, estudado, imitado, copiado. E os times que vêm jogar aqui no Mineirão nos respeitam muito. Entram em campo com uma postura mais defensiva, pensando primeiro em marcar e depois em jogar. E isso causa muitas dificuldades à equipe.

Mas em 2013 isso começou a acontecer no final do campeonato e em 2014 aconteceu o tempo todo. E nesses anos não tivemos tantos problemas. Claro, eventualmente éramos surpreendidos com jogos muito difíceis, derrotas inexplicáveis em casa, mas eram raros os momentos. Porque tínhamos Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart em campo, jogadores que mudavam o rumo das partidas com uma jogada. Os melhores jogadores da equipe em 2013 e 2014. Éverton resolvia muitos jogos com um passe perfeito, um cruzamento milimétrico, um drible desconcertante. E Goulart se movimentava demais, estava em todos os lugares, defendia e atacava com uma velocidade absurda. E fazia muitos gols. Davam muita criatividade ao Cruzeiro. Além disso, com esses dois jogadores bem, o restante da equipe também rendia mais.

Hoje não temos essa criatividade. Willian e Marquinhos, os titulares das pontas, são corredores e não criadores. Eles não pensam o jogo, e sim recebem as bolas de quem pensa. O caso mais preocupante do ataque é Marquinhos ter herdado a vaga de Éverton Ribeiro. Não que ele seja ruim, mas não tem nenhuma das características do ex-camisa 17. Éverton era nosso principal criador, recebia toda bola na lateral e pensava o jogo do Cruzeiro. Marquinhos corre e marca. Nada a mais. E isso não é o suficiente para furar retrancas.

Além disso, ninguém na equipe hoje tem a movimentação de Ricardo Goulart. De Arrascaeta, seu substituto, joga muito mais como um segundo atacante, parado na frente junto a Damião. Não volta para buscar bolas, não tem um grande poder de marcação, não faz o mesmo papel. E se a equipe é fixa, não troca de posição ou se movimenta muito, fica mais fácil de marcar.

Fora de casa já é outra história. O adversário tem a responsabilidade de criar, atacar. Assim, o Cruzeiro pode ficar mais postado defensivamente e sair no contra-ataque. Coisa que faz bem nesse 2015. O desempenho da equipe fora de casa é de 10 vitórias, 2 empates e 4 derrotas. 66% de aproveitamento. Números de candidato ao título. Hoje somos um time mais bem preparado para jogar fora de casa do que em casa, mais marcando que criando. Isso não é necessariamente ruim, tanto que nosso desempenho como visitante é ótimo. Mas não é o suficiente para enfrentar times fechados em casa.

Resumindo, acho que não temos criatividade suficiente para furar retrancas, criar jogadas, se impor jogando em casa. Mas acho que temos bons jogadores e fazemos um ótimo trabalho defensivo, que é ótimo para jogar fora de casa. Se encontrarmos esse equilíbrio, essa criatividade em falta, podemos fazer uma campanha bem melhor do que estamos mostrando no momento.

Até amanhã.