Marcos Vinícius e Gabriel Xavier: Esqueçam os medalhões e apostem nos jovens

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Até hoje o torcedor médio do Cruzeiro está indignado com Gilvan e cia por não terem conseguido contratar o famoso “meia” para a equipe de 2015. Mesmo tendo contratado De Arrascaeta (que acabou – por enquanto – não dando certo na posição), tendo uma bela proposta por Lucas Lima rejeitada e perdido Robinho apenas para um contrato absurdo chinês, o cruzeirense não poupa nossos dirigentes que realmente erraram muito nessa temporada. Mas acho que já deu de protesto. Não tem mais jeito, ninguém vai vir. Estamos nos enganando ao pensar que de uma hora pra outra uma diretoria que perdeu tantas negociações, que errou tanto em prometer contratações que não conseguiriam fazer, que falou tanto, mas tanto, que até os jornalistas não aguentavam mais especulações de jogadores no Cruzeiro, vai conseguir contratar um super jogador que até agora não foi descoberto por ninguém. O mar não está para peixe, as opções são poucas, caras, ruins, e não vão conseguir salvar o Cruzeiro de uma campanha medíocre nesse brasileirão. Temos que nos contentar e aproveitar o que está no plantel hoje.

Marcos Vinícius, meia-atacante de 20 anos, certamente não é o nome que queríamos para a posição no momento, já que sonhamos com os grandes nomes citados acima ou com a improvável volta de Ricardo Goulart numa situação que os chineses ainda tem que nos pagar uma multa no valor da transação por ter levado nosso melhor jogador e ter acabado com nossos sonhos, acarretando num replay da segunda partida contra o River Plate (já que Goulart estaria apto a jogar) e aí sim sua quarta-feira chegaria, com uma vitória épica e a classificação para a semifinal da Libertadores. Mas já que não consegui ver com meus advogados uma maneira funcional de fazer isso acontecer, podemos nos concentrar em moldar Marcos Vinícius no meia que queremos.

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Não é a primeira vez que deixaríamos nosso meio campo/criação nos pés de jovens jogadores. Em 2013, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart eram desconhecidos jogadores de 24 e 22 anos, respectivamente, sem a mínima confiança da torcida. Queríamos que Diego Souza tomasse conta do meio campo, que Alex voltasse, que Riquelme fosse revivido, que Montillo não tivesse saído. Queríamos tudo menos dois jovens tomando conta do coração da equipe. Mas eles foram lá, tomaram conta e fizeram história. Talvez essa falta de meia seja a grande oportunidade para Marcos Vinícius tomar conta do nosso meio campo e levar o Cruzeiro a vôos mais altos nesse campeonato. Ele falou sobre isso nessa semana:

“Venho trabalhando para isso. Falta esse camisa 10, mas eu me sinto preparado. Com sequência de jogos, vou mostrar que posso assumir a titularidade”

Uma coisa positiva de Marcos Vinícius é que ele gosta de receber a bola e partir pra cima da marcação. Hoje em dia falta isso para o jogador brasileiro. Eles não fazem tanta jogada individual como antigamente, como o futebol brasileiro foi reconhecido pelo mundo inteiro. Perdemos um pouco de nosso diferencial. É legal ver um jogador que não tem medo de tentar o diferente, de partir pra cima, fazer a jogada mais arriscada. Talvez isso seja uma boa arma para esse novo Cruzeiro. A única coisa ruim que eu vejo nele (e aparentemente Luxemburgo também), é que por ter essa característica, acaba sendo muito individualista e não toca muito a bola. Mas já teve algumas dicas e prometeu evoluir nessa questão:

“Ele chegou e falou para eu soltar mais a bola. Eu gosto de ir para dentro. Ele falou para eu jogar para a equipe. A cada jogo, vou evoluindo mais.”

Um jogador de meio campo perfeito, pra mim, é aquele que consegue driblar seus adversários, tem a velocidade para chegar na área e marcar gols, mas também consegue perceber quando seus companheiros estão em melhores posições, tem a visão de jogo para deixar alguém na cara do gol. E, além disso, ainda volta para ajudar na marcação. E consigo ver isso tudo em Marcos Vinícius. Pode ser que ele não dê em nada, não se transforme em um grande jogador, o que acontece com a maioria dos novos jogadores, mas vejo muita qualidade nele, características importantes para um meia nesse futebol moderno. Força física, velocidade, poder de marcação, habilidade… Talvez Marcos Vinícius possa ser o meia que tanto procuramos.

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Outro jogador que apresenta muita técnica, que gosta de driblar seus adversários e pode ajudar muito o Cruzeiro é Gabriel Xavier. Vejo muitas características do Éverton Ribeiro no meia de 21 anos, que chegou nessa temporada vindo da Portuguesa. Novamente, é um garoto, pode não dar certo, mas devemos tentar dar mais responsabilidades para ele e ver se toma para si o dever de armar o Cruzeiro e levar nosso time pra frente.

O futebol brasileiro passa por uma fase ruim de novos talentos, nosso campeonato é dominado por medalhões que voltaram ao país após perderem espaço na Europa, e o pior é que eles são os melhores jogadores de suas equipes. Ricardo Oliveira é o artilheiro do Brasileirão, foi o artilheiro do Paulista e vem colocando Gabriel – apontado como nossa maior esperança de camisa 9 para o futuro – no banco. Acho que devemos fugir desse padrão e tentar revelar mais, dar mais oportunidades aos jovens. Formar uma equipe como a de 2013/14, que apesar de ter ótimos jogadores experientes, era controlada por dois jovens meias.

Até algum dia.