Cruzeiro se cruzeirando

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Vocês, como eu, imagino que tenham ficado um pouco “não tô entendendo” por ver o maravilhoso e grandíssimo Dirceu Lopes apresentar o Douglas Coutinho e o…. Rafael Silva. Não entendi realmente. Não faz sentido, veja bem. Dirceu, junto ao Tostão, é o maior jogador da história do Cruzeiro (meu coração é igualmente 50% pra cada um) e estava na apresentação do: Rafael Silva. Não sou da turma de cornetar antes de jogar bola, mas é o…. Rafael Silva.

Pois bem.

Hoje li uma reportagem que tinha as falas do Dirceu na apresentação do jogador e eu (acho) que entendi. Primeiro, ele diz da identidade que estamos ouvindo que o Cruzeiro quer que seu elenco tenha. O Cruzeiro cruzeirense, originalmente falando. Acho que não consigo explicar isso, então deixa com o Dirceu.

– Eu diria que é uma característica do Cruzeiro. Quando o presidente Gilvan trouxe o Marcelo Oliveira, estive com ele lá, disse para ele que o Marcelo era meu sonho de consumo como treinador, porque ele encarna os times que ele treina. A maneira que ele jogou, a maneira que ele dirige os clubes, é a maneira que o Cruzeiro joga. Tem clubes, igual o Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense, que são diferentes de clubes como o Atlético-MG, Corinthians, que são times de força, de correria. O Cruzeiro é um time técnico, altamente clássico, a vida inteira foi assim. O Cruzeiro de 66, da minha época, além de ter jogadores talentosos, era muito velocista. É o que é o Cruzeiro hoje. Trazendo jogadores que são altamente velocistas, e o Cruzeiro tem tudo pra voltar a ficar, em 2016, na ponta do futebol brasileiro.

Se analisarmos o meio pra frente do elenco do Cruzeiro, a principal característica é a velocidade e a mobilidade. Mas esses detalhes eu mal sei direito, deixo isso com meu amigo @Candian. Porém é fato: o elenco do Cruzeiro tem essa característica de velocidade alinhado à técnica dos meio campo (estou olhando para você, Ariel Cabral).

Também vale enfatizar outra fala do Dirceu:

– Na verdade, eu não acho, mas tenho certeza que tem subir atletas da base para ter sucesso. Os maiores times do Brasil vieram da base, o Cruzeiro de 1966, o Santos de Pelé, o Flamengo de Zico, o Palmeiras de Ademir da Guia. O Barcelona está fazendo este trabalho. E vejo com muita alegria que o Cruzeiro está se adaptando aos tempos modernos fazendo trabalho com a base.

O trabalho que o Cruzeiro vem fazendo na base é bacana mesmo e começa 2016 com 15 jogadores oriundos das base – o Henrique me ajudou na conta – e o Deivid, em sua primeira entrevista no ano, disse que deseja que tenha 40% do elenco vindo da base. O clube celeste também está indo ao mercado buscando jogadores novos, sendo o mais velho até agora o Sanchez Miño (o qual quer ser chamado de Juan) que completou 26 anos na semana passada.

Eu entendo a postura do Cruzeiro de se “cruzeirar”. A característica de jogadores novos, técnicos e velocistas vem sim do Cruzeiro de Dirceu, que ajudou muito a construir a nossa identidade. Em 2015 li (e indico demais) o livro “O Príncipe – A real história de Dirceu Lopes” do Pedro Blank e aprendi um pouco mais do Cruzeiro de Felício Brandi.

Felício não tinha dinheiro, era tempos de vacas magras porque precisava de investimentos para a Toca da Raposa. A saída para nosso lendário presidente foi ir atrás de jovens talentos.

Dirceu chegou para o juvenil do Cruzeiro em 63 aos 17 anos. Lá encontrou Natal e Pedro Paulo. Tostão, exatamente 6 meses mais novo que Dirceu, tinha chegado pouco antes do América diretamente para o profissional. Ao fim de 64, Airton Moreira substituiu Marão e, em uma declaração ao Estado de Minas daquele ano, Airton disse que apenas daria “mais liberdade para cada jogador de acordo com a sua característica”. Em 66 todos sabemos o que aconteceu.

Rafael Silva e Douglas Coutinho não são Dirceu Lopes e Tostão, mas salvo as proporções, entendo a identidade que o Cruzeiro deseja recuperar agora.

Certamente a diminuição da receita colaborou para isso, mas vejo que é a principal saída diante de um mercado insano com chineses poderosos, salários absurdos e muitas contas a pagar.

Ainda não sei se o Rafael Silva faz sentido, mas o discurso do Cruzeiro faz. E como o mestre Dirceu acertou em relação ao Marcelo Oliveira, espero que suas previsões se concretizem também em 2016.

Luciana

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D