Gilvan ajudou o Cruzeiro a se desmanchar melhor que o Corinthians

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Olá amigos!

Estava aqui pensando com meus botões sobre o desmanche do Corinthians. Eles perderam Renato Augusto, Ralf, Jadson e Vagner Love, num arrastão chinês e uma loucura ou aposta sem sentido em Mônaco. As quatro vendas renderam  65,4 milhões de reais, mas o time paulista “só” ficou com 32,5 milhões, por terem apenas metade do passe de Renato e 30% do passe de Jadson. Esse valor, sinceramente, não me agradaria como torcedor. Perder 4 titulares, campeões brasileiros, prestes a disputar uma Libertadores e tentar conquistar o bicampeonato brasileiro por “apenas” 30 milhões de reais não parece vantajoso.

O valor que o Corinthians está levando não paga nem uma pequena porcentagem de suas dívidas, e apesar de aliviar a folha salarial, deixa o time muito mais fraco. E você não consegue montar um time campeão brasileiro com muita facilidade por 30 milhões de reais. Acho que, pelo valor, a equipe saiu perdendo muito. Eu sei que os times chineses pagaram as multas, que está impossível segurar jogador por conta dos altos salários oferecidos e que não havia muita coisa que o Corinthians poderia fazer. Mas o passado, e o Gilvan, nos mostraram que dava pra fazer um pouquinho melhor sim.

Sem querer me gabar por desmanche, pois isso é ridículo, mas… o Cruzeiro conseguiu vender Ricardo Goulart, Éverton Ribeiro, Lucas Silva e Egídio por cerca de 100 milhões de reais. Um desmanche muito mais rentável. E o que explica essa diferença toda é que o Cruzeiro tinha multas muito melhores por seus jogadores, negociou bem e Gilvan ainda lutou para conseguir mais dinheiro. No caso de Lucas Silva, nosso presidente usou a força que era uma transferência para o Real Madrid para adquirir uma boa parte de seu passe. Quando começou o processo de venda, Gilvan tinha somente 10% de Lucas Silva. Mas ao final da transação, acabou ficando com 50% do valor. A gente gosta de criticar, achar que a diretoria está sempre errada nas decisões, mas o nosso desmanche foi mais “bem administrado” (se é que podemos dizer isso de um desmanche).

O grande problema do Cruzeiro foi a administração maluca em 2015. As diversas contratações sem sentido de Riascos e afins, a demissão de Marcelo Oliveira e a contratação absurda de Luxemburgo. Arrisco a dizer (sem o mínimo embasamento) que, mesmo com as contratações ruins, se o Cruzeiro tivesse mantido o Marcelo Oliveira, teríamos feito um brasileirão bem melhor.

Ainda não consegui compreender o que houve em 2015. Minha teoria é de que Gilvan foi abduzido por alienígenas e trocado por um dirigente atleticano no início daquele ano (depois das negociações de nossos jogadores, claro, porque senão todo esse meu papo acima estaria errado). Só isso explica a contratação de Riascos. Riascos foi uma piada de mal gosto. E a demissão de Marcelo Oliveira? Isso é trabalho de um atleticano invejoso. Mas para nossa felicidade, Gilvan foi resgatado no meio de 2015, contratou Thiago Scuro (que parece ser um jovem antenado, com um pensamento moderno sobre o futebol) e subiu Bruno Vicintin da base (que parece muito apaixonado pelo clube e um administrador competente). O perfil mudou muito rapidamente. Além disso, Luxemburgo foi demitido e Mano Menezes contratado, outro belíssimo acerto – até perdermos Mano para a maldita China.

Nessa temporada Gilvan está sendo corajoso ao apostar em Deivid. É sua primeira equipe como técnico, ele não tem experiência alguma, mas parece bem inteligente e se dá muito bem com os jogadores. Fico um pouco receoso pois, apesar de ser uma coisa legal e diferente, ter um técnico sem experiência pode atrapalhar em alguns momentos, ainda mais com nossos principais adversários apresentando técnicos mais renomados. Tenho medo do ano começar ruim, Deivid sofrer uma pressão maluca da torcida e/motivada pela imprensa e acabar sendo demitido pelo Gilvan extraterrestre atleticano do início de 2015.

Quando Gilvan não é raptado por alienígenas e trocado por um dirigente atleticano, ele pode ser um administrador muito competente. Apesar da torcida ter ficado maluca com ele em 2015 – e acho que muita gente passou dos limites ao xingá-lo no estádio -, acho que está fazendo um ótimo trabalho à frente do Cruzeiro. Minha expectativa para 2016 é que o Cruzeiro consiga se entrosar bem e brigar pelos títulos de todas as competições que disputar. E que venha o desmanche bem administrado em 2017 no qual vendemos Pisano por trezentos bilhões de dólares após uma temporada de 76 gols em 38 jogos no brasileirão (isso mesmo, dois gols por jogo) e 114 assistências (isso mesmo, três por jogo). Só espero que o Gilvan alienígena atleticano não volte nunca mais.