Pelos poderes de… não, do futebol mesmo

Tempo de leitura: 2 minutos

 

Foto: Lucas Bois

Foto: Lucas Bois

Penso que a solução da guerra no mundo é o futebol. Especificamente: ir ao estádio.

Não há remédio melhor, não há clima melhor para as pessoas de bem. A alegria compartilhada, as broncas divididas e os lamentos universalizados.

Você nunca está sozinho. Sua alegria, raiva e dor são sentidos no assento ao lado.

Todos viramos técnicos. A bela arte de ser comentarista para a pessoa ao lado saber que você sabe mais que o técnico. Aquele “toca”, “chuta”, “corre” sempre no imperativo tendo a certeza que o jogador vai te ouvir. As vaias do desacordo, a bronca com o passe errado. Certamente sabemos mais que o técnico. É tão óbvio pra gente, por que não pra eles?

Foto: Lucas Bois

Foto: Lucas Bois

“Olha o ladrão!”

Estamos ali só para ajudar, caras.

Um sozinho não faz diferença, mas juntando todos os uns, faz o time até correr mais rápido. Temos super-poderes! Vemos primeiro, não sabemos se a bola foi pra um lado ou pro outro – dependendo do ângulo. Não precisamos de replay pra ter certeza que era pra ter dado falta ou que não foi impedimento e temos obrigatoriedade de xingar o juiz e, baixinho, alguém diz “ele fez certo” com um risinho na canto da boca.

Se errar a nosso favor, encontramos qualquer desculpa pra qualificar o erro. Se errar contra, não há palavrão que resista. Alivia o estresse do trânsito, do trabalho, dos estudos, da TPM (sim!), dos noticiários, da economia, da política… Só você e sua raiva externalizada, o tal do ópio moderno ou apenas uma terapia?

AsmR3li9SywKraxd4eiTto30ZJOIHJIwhJF_kN6Z2jOU

Foto: Lucas Bois

Um lance rápido e nosso atacante se aproxima do gol. Quem estava sentado se levanta, quem cantava perde a letra. Prendemos a respiração. As mãos de “uhhh” na cabeça como se errar o gol acionasse uma parte do cérebro que faz você levantar as mãos. Aquela coreografia sincronizada não ensaiada.

No estádio somos como a criança vidrada na TV hipnotizada com a Galinha Pintadinha. Nem dá pra saber o que há tão de especial a nossa frente, não conseguimos reparar em outra pessoa passando ao lado. Naquela hora, não queremos brincar de mais nada. Tanta coisa no mundo acontecendo e você perdendo tempo com futebol? Sim. São 90 minutos pra aguentar uma semana toda – no mínimo.

O jogo mal jogado, o calor infernal, campeonatos que não empolgam ou apenas 10 mil pessoas… Mas não interessa, a vitória importará sempre. Na hora de comemorar, xingar, pular, cantar e sentir, não definimos qual campeonato é, nem em qual ano estamos. Talvez no intervalo e no minuto seguinte do fim do jogo voltemos à racionalidade.

Luciana Bois

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D