Romero, Bruno Rodrigo, Willian e a busca pela equipe perfeita

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Olá amigos!

O Cruzeiro está se preparando para enfrentar o glorioso Tricordiano em sete lagoas amanhã pela quarta rodada do Campeonato Mineiro. E para nossa NÃO surpresa, teremos mudanças na equipe – marca registrada de Deivid no Cruzeiro até agora. Lucas Romero, maior volante jovem da história da argentina (segundo o twitter), confessou à imprensa que será titular.

Pelo que ele me disse, acho que vou começar jogando. Será a primeira concentração aqui na Toca. Quarta passada, antes da partida com o Fluminense, fui para a concentração. Fizeram o possível, mas não chegou a regularização a tempo. Tive que voltar para casa decepcionado, agora estou com muitas expectativas.

Não tenho base para afirmar nada, mas acho que esse Lucas Romero vai dar certo. Ele tem cara que vai dar certo. E muita gente tá falando bem dele. Então, lendo isso que acabei de escrever, ele vai ser um grande fracasso. Não tem jeito, olhem isso que escrevi, nem faz sentido. Mas tudo bem. Fazer o quê?

Além disso, Manoel, machucado, vai dar lugar a Bruno Rodrigo na equipe, formando novamente a dupla dos sonhos. Apesar de ficar triste por Manoel, fiquei muito feliz pela reedição dessa dupla, pois acho que ela se completa. Dedé tem a loucura de atacar os adversários pela bola, fazer lançamentos, se jogar no chão, matar um, e Bruno Rodrigo tem a calma, visão, esperteza para cobrir Dedé e dar segurança para a nossa defesa. Manoel é muito mais parecido com Dedé, tem as mesmas características, então ficamos com dois zagueiros muito combativos e nenhum com a calma necessária para dar um balanço à defesa. E Dedé é muito melhor que Manoel.

Outra “mudança” é a volta de Willian para o time titular após se recuperar de lesão. Coloquei entre aspas porque não é uma mudança e sim o caminho natural do retorno de um titular absoluto. Mais saiu, não sei de onde, um rumor de que Deivid poderia colocar Willian e Rafael Silva juntos em campo, pela boa fase do atacante ex-Vasco. E isso não faz sentido nenhum porque para fazer isso Deivid precisaria tirar De Arrascaeta ou Alisson da equipe. Mas nessa fase, tal qual um Marcelo D2 do futebol, de testes eternos em busca da equipe perfeita que ele está passando, não duvido que Rafael Silva apareça junto com Douglas Coutinho no ataque, Bruno Rodrigo no gol, Fábio de volante e Pisano de Raposinha. E é sobre isso que queria falar hoje. A constante mudança na equipe.

Deivid foi efetivado com a situação, levantada pela própria diretoria, de que continuaria o trabalho de Mano Menezes. Mas nesse meio tempo, Williams, que havia sido escalado como uma espécie de volante/meia direito na equipe de Mano e arrumado bem o time, foi cedido ao Corinthians. Então, desde o início, Deivid não pôde continuar com a equipe padrão do final de 2015. O problema começa aí.

No primeiro amistoso do ano, contra o Rio Branco, Deivid resolveu utilizar Marcos Vinícius como o substituto de Williams. Ele fez gol, o time venceu por 2 x 0, mas não jogou muito bem. Na segunda partida, o duelo contra o Criciúma pela primeira rodada da Primeira Liga, Deivid repetiu a equipe. E não deu muito certo. O time ficou meio aberto, confuso, com o quarteto ofensivo não se entendendo muito bem. Para a terceira partida, um empate em 0 x 0 contra a URT, Deivid repetiu pela terceira vez a equipe. O time não foi tão mal, criou algumas chances e parou na trave e no goleiro.

Mas Deivid não estava gostando do que via, e para a quarta partida, mexeu bastante. Na vitória por 2 x 1 contra a Tombense, foram três alterações de uma vez só no ataque. Rafael Silva entrou no lugar do lesionado Willian, Gabriel Xavier tomou o lugar de De Arrascaeta e Sánchez Miño ganhou a posição de Marcos Vinícius. O time fez um terrível primeiro tempo e somente no segundo tempo, com a volta de Marcos Vinícius, conseguiu o resultado favorável. Já na quinta partida, Deivid deu nova chance a Marcos Vinícius, tirando Gabriel Xavier da equipe e deixando Sánchez Miño, que entrou bem. Marcos Vinícius não correspondeu e a equipe fez mais um primeiro tempo ruim. As entradas de De Arrascaeta e Élber melhoraram a equipe na segunda etapa e deram a vitória ao Cruzeiro.

E então veio o jogo contra o Fluminense. Marcos Vinícius, salvador do penúltimo jogo foi colocado no banco, e De Arrascaeta, que estava “em baixa” e foi o salvador da última partida, entrou novamente. E o time começo bem, fez o primeiro gol na boa jogada do próprio De Arrascaeta, mas depois, por uma série de problemas que cito aqui, acabou perdendo por 4 x 3. Uma confusão só.

E o que tirar disso tudo? Que Deivid está indeciso. Trocando muitos jogadores por 45 minutos ruins. Sem a convicção de qual é seu time titular. E acho que todo o problema começou com Marcos Vinícius. Não tenho dúvidas de que ele é um bom jogador. Rápido, esperto, capaz de criar boas jogadas, puxar contra-ataques, marcar belos gols. Mas sua escalação na ponta direita, com De Arrascaeta e Alisson como companheiros de meio-campo, deixou a equipe muito ofensiva e pouco equilibrada. Ficamos, praticamente, com quatro atacantes. Williams, mesmo escalado de forma mais ofensiva, era um volante de origem e marcava bem, preenchia o meio-campo. Com Marcos Vinícius, o time não se comportou da mesma forma. E depois de três jogos ele resolveu mudar a forma de jogar. E começou a “culpar” jogadores pelas partidas ruins.

Tirou o próprio Marcos Vinícius da equipe, depois tirou De Arrascaeta, inverteu a posição de Alisson, voltou com Marcos Vinícius, depois tirou ele de novo e voltou com De Arrascaeta. Enfim, mudou tudo. E o time perdeu sua identidade, teve a forma de jogar muito alterada. Contra o Fluminense, um time que não fica só atrás se defendendo – que foi o padrão das primeiras partidas -, a equipe estava se encontrando, criando jogadas, marcando gols novamente, até levar os fatídicos quatro gols. E agora lá vai Deivid mudar o time novamente. Mas desta vez pode ser para melhor. Se entrar Romero pela direita, no lugar que Williams ocupava ano passado, deixando Sánchez Miño, Ariel ou Henrique no banco, e o restante for mantido, acho que teremos maiores chances de encontrar mais rapidamente esse padrão. Mas se ele inventar de tirar Alisson ou De Arrascaeta novamente, se mantiver Rafael Silva para jogar junto de Willian, vamos ter um outro time, uma outra formação e vamos demorar ainda mais para acharmos o time ideal para esse já tão conturbado 2016.

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Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
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