Adilson Batista, Marcelo Oliveira e o papel da torcida

Tempo de leitura: 5 minutos

Olá amigos!

Estava pensando hoje no twitter (se você não me segue pode clicar aqui ó – mas fique avisado que sou imbecil) nos motivos para o time do Adilson Batista funcionar em 2008/2009/2010. O elenco não era grandes coisas, não tinha nenhum jogador de alto nível (Ramires se transformou em um ótimo volante/meia durante o desenvolvimento da equipe), não tinha um técnico de alto calibre, super experiente, enfim, não tinha quase nada. Se você parar para pensar, as grandes experiências de Adilson como treinador eram de ter passado por Figueirense e Jubilo Iwata, do Japão. Ele chegou a um Cruzeiro estruturado por Dorival Júnior, muito ofensivo, mas muito fraco defensivamente. A escalação básica dessa equipe era: Fábio; Jonathan, Emerson, Thiago Heleno e Fernandinho; Ramires, Charles, Wagner e Leandro Domingues; Alecsandro e Roni.

Adilson chegou trazendo com ele Henrique, Fabrício e Marquinhos Paraná. A princípio a torcida ficou bem desconfiada, chegando até a vaiar Paraná no primeiro jogo do ano, já que ele fora escalado por Adilson improvisado na lateral direita. Uma formação que podemos pegar como base desse ano era: Fábio; Paraná, Léo Fortunato, Thiago Heleno e Jadilson; Fabrício, Charles, Ramires e Wagner; Guilherme e Marcelo Moreno. E fomos bem na temporada. Terminamos o Brasileirão em terceiro, nos classificando para a FATÍDICA Libertadores do Verón. Em 2008 o São Paulo foi sensacional, era impossível chegar perto. Foi uma boa campanha de estréia de Adilson.

Em 2009 fizemos uma excelente Libertadores, merecemos o título, mas ele não veio. O time estava bem arrumado, mesmo tendo perdido jogadores importantes, como Marcelo Moreno e Guilherme. Uma escalação que podemos colocar como base até o meio do ano era: Fábio, Jonathan, Thiago Heleno, Leonardo Silva e Fernandinho; Fabrício, Marquinhos Paraná, Ramires e Wagner; Wellington Paulista e Kléber. Depois da janela do meio do ano muita gente foi negociada, o time passou por grandes mudanças, demoramos para nos recuperar, e mesmo assim conseguimos nos classificar para a Libertadores, na quarta colocação, ficando a 5 pontos do improvável campeão Flamengo.

E chegamos ao pedido de demissão de Adilson em 2010. O Cruzeiro, novamente, fez boa Libertadores, chegou até às quartas de final e foi surpreendido por um Fernandão recém-contratado pelo São Paulo e por uma cotovelada de Kléber em Richarlyson. A escalação base era: Fábio; Jonathan, Gil, Leonardo Silva e Diego Renan; Fabrício, Marquinhos Paraná, Henrique e Gilberto; Wellington Paulista e Kleber. Após a eliminação o time passou por uma má fase e Adilson preferiu sair. Cuca assumiu o time, Montillo foi contratado, e o time quase ganhou o campeonato, ficando a dois pontos do Fluminense, na segunda colocação.

Essa pequena retrospectiva de nossa história recente serve pra gente dar uma olhada no trabalho feito e pensar um pouco sobre o que está acontecendo no Cruzeiro hoje. Adilson Batista não tinha grife nenhuma quando foi trazido do Japão. Uma boa temporada pelo Figueirense, nenhum título importante (coisa que não tem até hoje) e somente a bela história como jogador. E deu certo. Com contratações modestas, utilização da base, um esquema seguro que privilegiava a equipe que tinha nas mãos e com a paciência e apoio do torcedor, conseguiu chegar longe. Quase conquistar dois brasileiros e uma Libertadores. Para alguns isso não é nada, pois não ganhou títulos. Mas, para mim, estar lá em cima o tempo todo disputando também é muito importante.

Não sou um dos que acredita que a torcida é o décimo segundo jogador, que faz a diferença nas arquibancadas, nem nada. Acho que a torcida é ótima, é a razão do futebol – é todo um espetáculo para ela, sem o torcedor o futebol não vale nada -, mas não acho que a torcida no estádio influencia muitos nos resultados dentro de campo, num sentido de levar o time a vitórias ao cantar músicas. Mas acho que a torcida pode ajudar muito ao abraçar o time, criar um clima bom, de tranquilidade, e deixar o trabalho acontecer. Foi o que aconteceu com Adilson. Por ele ter sido um ex-jogador da equipe, o Cruzeiro golear várias vezes o Atlético e ele xingar muito a imprensa de atleticana, criou-se uma boa conexão entre treinador-time-torcida (apesar das loucuras táticas que ele fazia às vezes) e o trabalho fluiu. Tivemos muito azar em sair dessa época sem títulos.

Já na segunda vez que abraçamos o time, em 2013, após a injusta derrota para o Atlético Mineiro na final do Campeonato Mineiro, seguimos com Marcelo Oliveira por dois anos e meio e conquistamos dois Campeonatos Brasileiros. É curioso, são situações parecidas. Marcelo Oliveira também era uma aposta e, apesar de ter feito um trabalho melhor do que Adilson – chegando a duas finais de Copa do Brasil com o Coritiba -, foi muito mais arriscado por se tratar de um ex-jogador atleticano. Chegou com uma rejeição absurda (até eu mesmo achava uma contratação estranha) e foi ganhando a torcida aos poucos, com um bom trabalho, um time ofensivo, bem armado. Um excelente trabalho, até sua absurda demissão em 2015, que colocou o time nessa situação de hoje.

O que quero dizer com esses exemplos é que acho que a melhor maneira de ajudar o Cruzeiro é abraçando o time. Independentemente do treinador, do presidente, dos jogadores, de achar que vai dar tudo errado, que vamos cair, qualquer coisa. Mesmo porque é impossível prever esse tipo de coisa. Mas é claro que não estou dizendo para ficar cego e aplaudir qualquer coisa. Se o time estiver perdendo mil jogos seguidos, sendo goleado, horrível, não é pra ficar tranquilo achando tudo ótimo. Não é para exagerar também, como é feito no lado das críticas. Acho que essa coisa de “a torcida é exigente, critica mesmo e é por isso que o time tem títulos” é apenas uma desculpa para os corneteiros poderem cornetar e não apoiar o time mantendo a consciência limpa. “Estou ajudando”, eles tentam se enganar. Mas não estão ajudando nada. Estão criando um clima pesado na equipe, fazendo com que dirigentes repensem seu planejamento, que os jogadores tenham medo de errar e abreviando o trabalho do treinador. Ao trocar de treinador o clube perde um tempo enorme de trabalho e acaba ficando mais difícil lutar por algum título.

Acho que o papel da torcida, além de ir à campo em todas as partidas, cantar o mais alt0 que puder e se divertir, é SEMPRE abraçar a equipe, acreditar, torcer. Tentar criar o melhor clima possível para que o treinador – qualquer um que seja (menos Luxemburgo) -, os jogadores, dirigentes, todo mundo, possam trabalhar com tranquilidade e ter o tempo necessário para tirar o melhor da equipe e lutar pelos títulos.

Até amanhã.

Créditos:

Foto do post: Tarcísio Badaró.

Não me siga

Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
Não me siga
  • Daniel

    O papel do torcedor é um só, agir conforme sua consciência mandar, se quiser apoiar que apoie, se quiser vaiar que vaie. Tenho mais de 20 anos de Mineirão e o torcedor do Cruzeiro sempre teve essa diversidade de personalidade. O que eu quero dizer é que ninguém pode querer cercear ou rotular um torcedor por ele cobrar demais ou por não criticar, cada ser humano é de um jeito e o maior problema é que artigos como seu é que tentam impor um padrão para torcida dizendo como torcer. Sugiro que repense seu texto, pois rotular como “corneteiro” quem critica ou falar que não ajuda em nada o comportamento dele é uma falta de respeito da sua parte. Finalizando, poderia mostrar a você vários exemplos em que mudança de treinador fizeram um time que vinha mal ser campeão, mas se você é cruzeirense já sabe disso, pois na Libertadores de 97 trocamos de treinador(ele pediu demissão após 1 derrota) no meio da competição e fomos campeão e do mesmo jeito que existem vários exemplos também que foram uma péssima idéia a mudança. Quando escrever um artigo e quiser passar o seu ponto de vista tente não rotular as pessoas que não compactuam com suas idéias.

    • Daniel, é tudo o meu ponto de vista. Se você não concorda, está ok para você, continue dessa forma. Mas eu vou continuar achando as mesmas coisas, que os críticos malucos são corneteiros sim, que não ajudam o time sim, que atrapalham sim. É a minha opinião. Você querer que eu não a dê é muito mais falta de respeito ou cercear meu direito de opinar que qualquer outra coisa.

      Tem exemplo pra tudo, nunca disse que um treinador sair de um time acaba com qualquer chances de títulos. Só que é mais provável. E também nunca disse que treinador mantido vai ganhar, Adilson não ganhou nada… tá escrito aí no texto.

      • Fernando

        A aposta da Diretoria era arriscada desde o início. Tenho certeza que eles sabem disso e mensuraram o risco…. podia dar certo, não deu, troca logo. Comparar o Deivid com Adílson, Marcelo e mesmo Guardiola e Luiz Henrique como vi por aí ou é desinformação ou má vontade.

        O Adílson já tinha 4 trabalhos antes do Cruzeiro, O Marcelo só chegou ao Coxa – onde foi bem – por ter feito bom trabalho no Paraná. Os catalães treinaram – e foram bem- No Barcelona B.

        Alguns acham que experiência em time pequeno é desnecessária, te digo: é essencial. É lá que o buraco é mais embaixo. No time pequeno é paciência zero, três jogos e rua para os ruins. Ninguém tem planejamento de longo prazo, competição mais importante em maio e etc. Lá o cara tem de ter estômago e passa pelo grande filtro. Sai um Condé para cada 50 Pirulitos.

        Não consigo entender alguém que, como eu foi ao campo nos jogos desse ano, e viu ali indícios de futebol promissor. Na imprensa mineira os maiores defensores do Deivid são Emanuel Carneiro, Son Salvador e etc. Será porque?

        • Não acho experiência em time pequeno desnecessária nem essencial. Acho que pode ajudar ou atrapalhar técnicos, depende da situação. E não comparei Deivid com Marcelo Oliveira e Adilson Batista. Na verdade não escrevi o nome do Deivid em nenhum momento do texto. Estou comparando o comportamento da torcida em cada uma das situações e dizendo que, em momentos de maior apoio funcionou melhor. Se é por causa disso ou não, não sei. Mas parece que ajudou.

          Sobre o time do Deivid, acho que é muito cedo para traçar qualquer coisa. Acho que o time teve mudanças sim, não é o mesmo futebol em todas as partidas. Começou com um time muito ofensivo e pouco equilibrado, com Marcos Vinícius no lugar de Williams, e agora está com um time mais equilibrado defensivamente com Romero, mas não está acertando o pé no ataque.

  • Leonardo Guerra

    Legal o texto. Se não entendi errado, você prega o apoio ao time por parte da torcida mesmo em momentos difíceis. Concordo. Mas acho que o ponto central das comparações deve passar pela análise do produto apresentado, ou seja, o futebol jogado pelo time. Adilson, Marcelo e Mano demonstraram uma coisa (ainda que por períodos determinados): “o time está sendo treinado e isso é visível em campo”! Como bem dito, o time comandado por AB era mediano e rendeu boas campanhas e um quase TRI. O time do Marcelo era bem mais qualificado e rendeu dois Brasileiros, e em 2015, com muitas mudanças o trabalho dele se perdeu um pouco. Mano dispensa comentários, em 10 dias o time apresentou padrão. E aqui vejo dois erros, mais um da diretoria e um do deivid: 1°) a diretoria mais uma vez, sob um pretensa economia, resolveu apostar (AB e MO também foram apostas mas já tinha trabalhos anteriores, Deivid não). Então, entendo que uma coisa é aposta (AB, MO, o próprio Eduardo Batista que tanto se comenta) outra é tiro no escuro. 2°) Apesar de tudo, o Deivid já tinha um “manual” pra seguir. O Mano deixou o time pronto, taticamente montado e encaixado, bastava seguir a receita e trocar o que fosse inevitável. Mas não, o Deivid buscou um novo esquema e a meu ver errou. Claro que o técnico deve ter autonomia, deve implantar seu esquema, sua filosofia, mas dada a recuperação do time com Mano, acho que aquele esquema era a base, variações a partir dele e não de um novo esquema. RESULTADO: vejo um time exatamente igual o do Luxa, com mais vontade, só. Mesmo que o Deivid não caia e eventualmente até vença o Mineiro (coisa que o Ipatinga já fez e nem por isso é referência), sinceramente, não consigo olhar o trabalho e pensar em coisas grande, da dimensão do Cruzeiro.
    Posfácio 1: apesar do desânimo, sou sócio e fui em todos jogos no Mineirão desde o Figueirense ano passado, inclusive Arena do Jacaré esse ano. Vaiei contra o América sim, pois foi patético!
    Posfácio 2: pra apostar de novo prefiro o Adilson ao Eduardo Batista, pelo menos tem ligação efetiva com o Cruzeiro e penso que merece uma chance de um novo trabalho em um clube grande como o nosso.

    Um abraço! Avante Cruzeiro!

    • Também não acho o trabalho do Deivid bom até aqui. Mas também acho pouco tempo para julgar. Ele teve que mudar o time ao perder Williams e apostou em Marcos Vinícius. Não deu certo. E aí acho que se atrapalhou um pouco e começou a mexer demais na equipe. Agora, com Romero, acho que ele acertou uma equipe e vai ver se funciona. Acho que vai melhorar.

      Sobre a comparação com o Luxemburgo só queria lembrar que o pofexô deixava os titulares no banco para escalar Marinho e cia. Falava mal de jogadores nas entrevistas… Foi um absurdo a bagunça que ele arrumou aqui. Não acho que Deivid esteja fazendo nada parecido.