As mudanças e a falta de convicção de Deivid

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Olá amigos.

Hoje fomos munidos de algumas informações importantes sobre o Cruzeiro. Primeiramente, Deivid fechou o treino, já sentindo a corda apertar no pescoço e o inevitável pé na bunda chegando. Depois conseguimos algumas informações importantes desse treino fechado através do ótimo Samuel Venâncio no twitter. Elas foram:

E:

Num primeiro momento parece tudo ok, não é mesmo? Testar alguém no lugar do Fabrício (que pra mim não fez nada de errado para sair do time) faz todo sentido. E recolocar Ariel Cabral no time titular também, porque na verdade ele nunca deveria ter saído. Mas não está tudo ok. Porque essas pequenas mudanças na verdade são grandes mudanças, que modificam muitos setores da equipe e vão contra as próprias convicções que Deivid estava implementando nos últimos jogos e dizia que via melhorias na equipe. Vamos ver a “evolução da equipe” desde o início. Na verdade, vamos voltar até o time de Mano Menezes no final do ano e ver o que aconteceu, tal qual um detetive na cena do crime. E o crime é a morte do Cruzeiro (brincadeira).

O time de Mano terminou o ano com a seguinte escalação (mudando uma ou outra peça, mas com esse estilo):  Fábio; Ceará, Bruno Rodrigo, Manoel e Fabrício; Henrique, Willians, Ariel Cabral e De Arrascaeta; Alisson e Willian. Marcos Vinícius também entrava bastante no lugar de De Arrascaeta ou Alisson. Um bom time, que terminou o ano muito bem. E o que todos achávamos, quando 2016 se iniciou, era que Deivid iria manter esse estilo de jogo, continuar o trabalho de Mano. Mas isso não ocorreu. Dois desses titulares saíram do time. Willians foi negociado com o Corinthians e Ceará não teve seu contrato renovado. Não quero entrar no mérito se foram negociações ruins, só falar sobre o time. E sem esses jogadores, Deivid montou a seguinte equipe: Fábio; Mayke, Bruno Rodrigo, Manoel e Fabrício; Henrique, Ariel Cabral, Marcos Vinícius e De Arrascaeta; Alisson e Willian. Parece que mudou pouco, mas Marcos Vinícius no lugar de Willians tirou o equilíbrio defensivo da equipe. O time ficou com praticamente quatro atacantes que não voltavam para marcar. Ele insistiu nessa equipe para o segundo jogo e também não funcionou. Ao invés de trabalhar nessa equipe, fazer os atacantes voltarem mais, tentar fazer funcionar, Deivid resolveu mudar. O que é aceitável. Se você não acha que está indo no caminho certo, quanto mais rápido mexer, melhor.

Mas a segunda formação que Deivid levou a campo foi uma tragédia. Ele resolveu tirar Marcos Vinícius e De Arrascaeta de uma vez só, com base em dois jogos ruins. E a equipe foi a campo com: Fábio; Mayke, Bruno Rodrigo, Manoel e Fabrício; Henrique, Ariel Cabral, Sánchez Miño, Gabriel Xavier e Alisson; Rafael Silva. Levou à campo o estreante Sánchez Miño e o jovem Gabriel Xavier de uma vez só. Rafael Silva só entrou porque Willian havia se lesionado, foi uma alteração forçada, não conta. Mas, mesmo assim, fomos a campo com 75% do quarteto ofensivo alterado. 50% dele por escolha de Deivid. E o time fez um péssimo primeiro tempo. Só com as entradas de Élber e Marcos Vinícius, no segundo tempo, é que o time reagiu e venceu.

Já para a quarta partida oficial da equipe na temporada, Deivid fez sua terceira mudança de equipe. Marcos Vinícius, que foi bem no jogo passado, ganhou a posição de Gabriel Xavier. Sánchez Miño, que surpreendeu positivamente, continuou na equipe titular, na meia esquerda. O time foi a campo com: Fábio; Mayke, Dedé, Manoel e Fabrício; Henrique, Ariel Cabral, Marcos Vinícius, Sánchez Miño e Alisson; Rafael Silva. E adivinhem o que aconteceu? O time fez um mal primeiro tempo e De Arrascaeta entrou muito bem no segundo e ajudou o time a ganhar. E o que Deivid fez? Mudou de novo.

No quinto jogo, Deivid levou sua quarta equipe diferente a campo. De Arrascaeta voltou, no lugar de Marcos Vinícius, e Sánchez Miño continuou. O time que enfrentou o Fluminense foi: Fábio; Fabiano, Dedé, Manoel e Fabrício; Henrique, Ariel Cabral e Sánchez Miño; Arrascaeta, Alisson e Rafael Silva. E eu achei que, apesar do placar, o time jogou muito bem. Até escrevi sobre isso aqui. O início de jogo foi excelente. Com bons passes, pressionando o Fluminense, fazendo tabelas, estava tudo dando certo (até eles marcarem três gols em tipo meio minuto e estragar tudo). E apesar de Deivid ter visto várias coisas positivas nessa partida, como ele mesmo disse, ele foi lá e mudou novamente.

E a bola da vez era Romero. Regularizado, o volante recém-contratado foi a aposta para melhorar o lado direito da equipe. E meio que funcionou no lado defensivo da coisa. Para a partida contra o Tricordiano, Deivid levou a campo: Fábio; Fabiano, Dedé, Bruno Rodrigo e Fabrício; Lucas Romero, Henrique, Sánchez Miño e De Arrascaeta; Alisson e Willian. Não jogamos particularmente bem, mas achei que o time estava mais bem postado em campo. Vi certa evolução. Pouco, mas algo que mostrava que o time estava começando a se acertar. Que talvez precisava de mais alguém ali no meio campo.

E Deivid, que aparentemente havia gostado do desempenho, repetiu – apenas pela segunda vez no ano – a escalação no jogo contra o América. Mas, diferentemente da partida contra o Tricordiano, a vitória não veio. Por detalhes. Quase não sofremos com o ataque adversário, Fábio não precisou trabalhar o jogo inteiro, mas nos acréscimos o jogador Bryan acertou um chute perfeito quase do meio campo. 1 x 1 e toda a tranquilidade foi embora. Nessa partida, pra mim, o problema não foi ter levado esse gol no fim. Foi não ter conseguido matar o jogo no primeiro tempo ou em algum contra ataque na etapa final. Para mim houve certa (e pequena, mas bem pequena mesmo) evolução. Mas, se as informações de Samuel Venâncio estiverem certas, Deivid vai mudar novamente. E pra mim isso não vai ser bom.

Uma equipe de futebol não pode ficar mudando toda hora, baseado em poucos jogos. Ainda mais no começo de ano e em competições ruins. É claro que você não pode ficar mantendo um time que na sua avaliação está errado, tem que mudar mesmo, mas com convicção, com um plano. E aos poucos. Não adianta colocar um tanto de reserva ao mesmo tempo esperando um ótimo futebol que não vai acontecer. Não é assim que funciona. Você precisa de entrosamento, entendimento entre os jogadores, ter uma maneira fixa de jogar. No Cruzeiro esse ano tivemos cinco formações diferentes em sete jogos. Muitos jogadores sacados por 45 minutos ruins e muitos jogadores colocados em campo por 45 minutos bons. Isso não é o ideal. Você precisa ter uma base, acreditar nessa equipe, ter convicção em seu time, e ir fazendo testes aos poucos. Mudando um ou outro jogador, com base em análises maiores e melhores. Não 45 minutos, não birra de torcedor.

Gilvan, em entrevista que não era pra dar, comentou essa situação muito bem:

Acho que está na hora de o treinador conseguir a posição ideal para os atletas que foram contratados. Atletas que tiveram comportamento melhor ano passado, e que pioraram um pouquinho o rendimento este ano. Mas a tendência é melhorar. Precisa, primeiro, na minha opinião, o treinador chegar à conclusão do time ideal para escalar. A gente sabe que no futebol a sequência e a continuidade ajudam muito o rendimento do time dentro de campo.

E o ponto é exatamente esse. Testar é muito bom, mudar o time é importante, mas Deivid tem que ter seu onze titular, tem que ter seu time, tem que ter convicção no seu trabalho. E do jeito que está agindo, mudando a cada jogo, caindo em birra de torcida, ele pode estar começando a mostrar que talvez não esteja mesmo preparado para o desafio. Mas ainda é cedo para julgar. Tomara que esse não seja o caso.

Até amanhã.

Créditos:

Foto: Washington Alves/Light Press

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Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
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  • Rodrigo Carvalho

    Parei de ler na parte em que o Fabrício não fez nada para sair do time titular. Mentira, não parei. Mas ele fez, e fez muito pra sair. Lateral que pouco sobe ao ataque, com medo de tomar bola nas costas, e ainda assim toma, é inaceitável. Não vejo a entrada do Miño na lateral como algo ruim, ele já atuou na posição e pode agregar mais do que o lento Fabrício vem fazendo.

    • Eu acho que ele está sofrendo com os problemas gerais do time, não está destoando. Por isso acho que não fez nada para sair. Não é como se todos nossos gols tomados fossem pelo seu lado, se ele tivesse fazendo gol contra toda hora… Na verdade ele fez até gol a favor. Não o considero o melhor lateral possível, mas acho que está longe de ser um grande problema.

      Já na situação do Miño eu acho ótimo testar ele lá, mas o problema é ele já ser titular em outra posição. Acho sem sentido tirar um titular de uma posição para testá-lo na lateral, só isso.

      • Fernando

        Para mim esse Miño deve ser imposição da Diretoria e o Deivid tá quebrando a cabeça para achar um lugar para ele. MV foi mal em um jogo (depois de ter sido o melhor em campo duas vezes), saiu do time e não voltou mais. Esse gringo foi mal em três jogos seguidos e continua. Poderia pegar um banquinho e dar espaço para outros testes como Pisano e Marciel.
        Para esse jogo o MV tá machucado, mas para mim ele é o cara mais promissor do elenco, forte, veloz. Precisa urgente de uma sequência, antes que o Gilvan contrate outro bonde gringo para lhe tirar espaço. O grande problema é que ele é negro e não fala espanhol… fica sem grife.
        Abraço.