Caldense, entrevista, liderança e contusões

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Olá amigos!

Ontem o Cruzeiro venceu a Caldense por 1 x 0, fora de casa, num gramado horrível, sob forte chuva. E era pra estarmos felizes. Mas estamos felizes? N-e-m  u-m  p-o-u-c-o. E por que? Porque o clima criado entre torcida e Deivid está absurdamente insuportável. Tudo virou motivo para reclamação, tudo. Colocou um jogador. Reclamação. Tirou um jogador. Reclamação. Demorou para substituir. Reclamação. Time fez gol. Reclamação. Time sofreu um ataque. Reclamação. Adversário chutou a bola no gol. Reclamação. Fábio defendeu. Aí não tem reclamação pois o Fábio é demais. Deivid dá entrevista. Muita reclamação. E nessa talvez a torcida tenha, pela primeira vez na história do futebol, razão.

Perguntado sobre a pressão que vem sofrendo desde que assumiu o Cruzeiro, Deivid disse o seguinte:

É muito difícil jogar aqui. O Cruzeiro não conseguiu vencer a Caldense nos últimos dois anos. Gramado antigo, campo pesado. Temos que valorizar a vitória. Foi 1 a 0, mas suado. Criamos muito, tivemos boas chances e estamos de parabéns. Esperamos manter esta mesma intensidade nos próximos jogos, de estar ligado do começo ao fim pra sair sempre vencedor.

Até aí tudo bem, ok, não criou tanto assim, mas o gramado estava ruim, a chuva atrapalhou, ganhar sempre é bom, está tudo certo. Sem problemas. Mas agora é que vem a parte complicada:

Não tem cobrança. Eu sou o líder da competição. Quero ganhar sempre de 1 a 0 e ser campeão no final da competição. Ser líder é sempre bom. A competição não acabou. Não adianta liderar de ponta a ponta e depois perder o título. Temos que subir gradativamente pra ter as vantagens no final.

Amiga, Deivid, assim fica difícil te defender. Como assim ~você~ é líder da competição. Primeiramente, o CRUZEIRO é líder da competição. E muitos diriam que o CRUZEIRO é líder da competição APESAR de você. Não vem com historinha para o meu lado não. E ser líder de mineiro não vale nada. Muito menos jogando tão mal assim como foi no segundo tempo contra a Caldense. Tem cobrança, tem pressão, e aparentemente você não está sabendo lidar muito bem com isso. O que você deveria falar é o seguinte (anote aí pra não esquecer):

Num clube gigante como o Cruzeiro sempre tem pressão, realmente não estamos jogando como queremos, mas estamos trabalhando forte para chegar lá. Além disso, somos os líderes da competição, o que quer dizer que estamos fazendo algumas coisas corretas. Mas vamos evoluir muito ainda e esperamos conseguir conquistar o título, ganhando de 5 x 0 do Atlético Mineiro e fazendo o Robinho chorar.

Bom, acho melhor não colocar a parte do 5 x 0, nem a parte do Robinho chorando. Pode pegar mal. Mas o restante está bem correto, pode copiar e memorizar para as próximas entrevistas. Espero que você melhore. E espero que você melhore (bastante) o time também.

E falando sobre o time, conseguimos o recorde de “mais péssimas notícias possíveis em um início de ano” com a nova lesão de Willian e a novíssima lesão de Mayke. Os dois jogadores, que já estiveram lesionados durante a temporada, voltaram a sentir dores e provavelmente não jogam a próxima partida do Cruzeiro, contra o Atlético Paranaense. Willian fazia sua terceira partida desde a volta da primeira lesão, e Mayke, que parecia ter se machucado seriamente durante a última semana, entrou no segundo tempo ontem e se machucou no treino de hoje.

Eles se juntam a Dedé, que sentiu nova lesão e deve ficar mais de um mês de fora, Judivan, que se machucou à serviço da seleção e Marcos Vinícius, que se machucou durante um jogo-treino. Perderam por pouco a companhia de Manoel, que está voltando de contusão e até participou do treino de hoje.

O que está acontecendo com o Cruzeiro? A maldição do Alisson passou para os outros? Essa foi a condição para ele se curar? Que todos os outros jogadores se machuquem toda hora? Estou com sérias dúvidas de que esse é um negócio que valha a pena. E por que tanta lesão na coxa? O Cruzeiro não malha as coxas dos caras? Eles vão pra academia e malham só braços, como aqueles bombadões ridículos? Assim fica um pouco complicado. ESTOU CHEIO DE QUESTIONAMENTOS.

A vida do Deivid já não está fácil, e agora esse tanto de jogador machuca ao mesmo tempo. Sinto até pena do nosso tão odiado treinador. Mas podemos olhar pelo lado positivo da coisa. Quando Deus fecha uma porta você pode pular e se suicidar pela janela (ou algo do tipo). Deivid pode usar esse jogo que não vale nada contra o Atlético Paranaense e as lesões de jogadores para testar um novo time. Colocar os reservas. Os jogadores novos, que tanta gente tá pedindo. Que tal um ataque com Pisano de titular? E uma chance para Marciel? Um esquema tático um pouco diferente, dar uma sacudida no plantel. E faça algo pelo Rafael, coitado, esse nunca vê a cor da bola. Mostre para a torcida que você está do lado deles, Deivid.

Até amanhã.

Foto: Washington Alves/Light Press.

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Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
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  • Leonardo Guerra

    Esse ano tem me lembrado um outro início de temporada. Em 2007, com o inigualável (negativamente, claro) Paulo Autuori no comando do Cruzeiro, foi a mesma coisa: com um elenco bom fomos capengando no campeonato mineiro e a ilusão de ser líder escondeu a realidade. Passamos pela portuguesa na Copa do Brasil (mal) e aí veio o choque de realidade. Saímos pro brasiliense na quarta e perdemos o clássico de 4×0 no domingo (já havíamos perdido de 3×1 na primeira fase). Resultado: terra arrasada, 4 meses perdidos e demissão a uma semana do brasileiro.
    Treinar um time GIGANTE como o Cruzeiro é complicado mesmo, as vezes tem resultados mas o futebol não convence, pressão. As vezes tem futebol mas o resultado não é suficiente, pressão.
    Mas quando vejo o Deivid se apegando em liderar o campeonato mineiro, único ponto positivo de seu trabalho e que não serve absolutamente para nada nesta altura, vejo o tamanho do erro da diretoria.

    • Acho que ainda é cedo para cravar que o Deivid não vai funcionar, mas pode ser bem esse caso mesmo. Pode ter sido uma aposta que não deu certo. Só uma coisa, eu gosto de ter bastante cuidado ao comparar os técnicos. Você comparou com Paulo Autuori, uma cara completamente desatualizado, que admitiu não ver jogos, não estudar adversários, etc. E a maioria das pessoas compara Deivid a Luxemburgo, que tem tudo do Autuori somado a arrogância e clima ruim criado no grupo. Por enquanto, pra mim, Deivid não apresentou esses lados negativos, só a falta de experiência.

      • Leonardo Guerra

        Mais uma vez, NÃO COMPAREI OS TÉCNICOS, comparei o Cruzeiro de cada um deles. No comentário sobre Adilson, Marcelo e Mano na semana passada, você disse a mesma coisa! Comparar técnicos seria avaliar as metodologias, esquema, formação,
        carreira, trabalhos anteriores, números, etc., não fiz isso.
        O que comparei sim, foi o resultado prático de cada um deles, sem sequer mencionar o método que levou a esses resultados, o Cruzeiro do Autuori deu nisso, ponto! E o Cruzeiro do Deivid (cujo resultado ainda nem se concretizou) me lembrou esse momento. Impressão de torcedor, de lembrar de um jogo, um momento, uma temporada, só isso!

        • Entendi. É que no caso do texto sobre os técnicos, falei mais sobre o papel da torcida, de abraçar o time, etc. Como você estava falando sobre o desempenho do time, achei que era uma comparação de técnicos!