Cruzeiro surpreendentemente tranquilo e efetivo no Horto

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Olá amigos!

Ontem o Cruzeiro conseguiu uma boa vitória contra o Atlético Mineiro e praticamente garantiu o primeiro lugar geral do Campeonato Mineiro. Não que isso signifique alguma coisa, pois primeiro o Campeonato Mineiro não vale nada e segundo a gente vai pegar provavelmente o América na semifinal e o Cruzeiro adora perder esse tipo de confronto. Mas como diria o sábio, vamo aguardá.

Ao invés de ficarmos pensando em possibilidades do incerto futuro futebolístico dessa equipe, vamos nos focar no que está acontecendo no momento. E o que podemos tirar desse resultado do clássico é que o Cruzeiro de Deivid se portou muito bem e venceu um dos melhores times do país no momento (infelizmente). “Ah mas o Atlético estava desfalcado”, sim, estava mesmo. Mas também tinha vários titulares, inclusive um ataque formado por Robinho, Luan, Hyuri e Lucas Pratto. E a gente estava com um ataque 100% reserva. “Ah, mas se não fosse o Fábio a gente tinha perdido”. Sim, como em diversos jogos com diversos outros goleiros nas mais diferentes situações e campeonatos. É pra isso que o goleiro está lá. E a gente tem sorte de contar com um goleiro tão bom (que pra mim não faz o menor sentido ele não ser o titular da seleção brasileira desde 2009). “Ah mas..” VAI DORMIR MEU CADÊ TEU PAI.

O ponto é: O Cruzeiro fez um bom jogo contra um ótimo rival. E esteve confortável por vários períodos no Independência, coisa difícil de ver ultimamente. Normalmente você vê um Cruzeiro nervoso, acuado, errando muitos passes. Mas nessa partida, e principalmente no primeiro tempo – quando o jogo estava igual – jogamos tranquilamente, criamos jogadas, trocamos passes. Já no segundo tempo eles foram pra cima loucamente, e isso mascarou um pouco a partida, que foi mais igual do que os melhores momentos fazem parecer.

Para ilustrar o que foi a partida num ponto de vista NUMÉRICO, temos aqui os dados do belíssimo Footstats. Corroborando com o que eu disse sobre os passes, nós acertamos 90% deles, 216 (contra 251 do Atlético – pouco a mais). Tivemos poucas finalizações, só 8. Mas fomos muito mais efetivos do que nos últimos jogos. Até escrevi sobre essa busca por efetividade aqui. Acertamos no gol 5 das 8 finalizações, 62%. Para comparar, no último jogo antes desse, o contra o Villa Nova, acertamos somente 34% das finalizações. E nessa partida o Atlético acertou apenas 40% delas, 8 de suas 20. Pouca efetividade na frente do gol na maioria das vezes é o que separa o time da vitória. Os desarmes foram parecidos, a posse de bola também, enfim, um bom jogo nosso, um bom jogo do Atlético, que se decidiu na diferença entre os goleiros.

E é claro que após a partida todo o papo foi sobre erros de arbitragem. Já virou moda no Campeonato Mineiro. O Atlético reclama (com razão) da não-expulsão do Ariel Cabral num absurdo pisão sobre o jogador adversário. Ele deveria ter sido expulso sim, e pegar um gancho feio. Foi uma agressão sem necessidade nenhuma. Mas, pra mim, a jogada era difícil para o juiz. Jogadores embolados, lance fora da bola, que só com replays e diferentes ângulos de câmera dá pra ver. Foi a decisão errada, mas perdoável pela dificuldade. Já as reclamações de expulsão de Allano e pênalti num puxão de camisa são forçar demais a barra. Você não precisa dar cartão amarelo para todo mundo toda hora. Ainda mais quando esse jogador já tem amarelo (mal aplicado, com absurdo um minuto de jogo). E o lance do pênalti é piada. O cara se joga pra frente após ter a camisa levemente puxada. Eu nunca vou entender um jogador cair pra frente ao ser puxado pra trás. Tem que ter muito desprendimento para com as leias da física para reclamar de pênalti nesse tipo de jogada.

Os jogadores do Cruzeiro que se destacaram na partida foram Fábio, Élber e Rafael Silva. Fábio pegou tudo. Tudo. O Atlético teve três chances claras de gol que ele foi impressionante. Já Élber foi nosso melhor jogador de linha, liderou o ataque, criou nossas melhores jogadas, colocou uma bola na trave e deu o chute que resultou no gol. Causou muitos problemas à defesa do Atlético. E Rafael Silva foi oportunista, continuou sua bela média de gols em 2016 e foi maravilhoso na comemoração. Já digo faz tempo que Rafael Silva é o melhor atacante brasileiro com cabelo escroto em 2016.

Ontem foi um bom dia.

Até amanhã.

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Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
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