Um resultado condicional

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Toda criança quando começa a jogar futebol deseja ser atacante. Você sempre vê que qualquer jogador começou lá no ataque e foi “rebaixado” pras outras posições. Às vezes aparece um que começou na meia, mas é raríssimo. Achar um que começou na zaga? Quase impossível. Estes aparecem apenas em erros grotescos. Mas se fizer um gol decisivo, vira inspiração.

Futebol vive de análises um pouco rasas e pontuais. O jogador que vira ídolo é o que possui maior marketing e simpatia ganha aqueles que se juntam a organizadas ou que falam coisas polêmicas. O que se vê com mais clareza não é tudo que se necessita ver.

Resumindo o Cruzeiro em um filme | DreamWorks

Resumindo o Cruzeiro em um filme | DreamWorks

Tento entender a construção de um resultado não apenas pelo placar final ou pelos melhores momentos. Contra a Chapecoense, vi um time com marcação alta de início e, mesmo fazendo um gol rapidamente, continuou pressionando. Não tinha a mesma qualidade que o Alisson dá ao atacar com o Pisano, mas começou o jogo como os jogos anteriores.

Henrique, por falta de sorte, teve que sair. E aos 14 minutos entra o Gino. Podia ser o Cabral-2016? Podia ser um outro zagueiro? Leo? E, nisso, o árbitro começou a afrouxar a marcação do Cruzeiro distribuindo amarelos. Amarelos injustos para o Willian e para o Mayke, mais amarelo para o Bryan (criticado neste jogo, mas que foi muito bem contra o Palmeiras) e para o Pisano. Segundo tempo entrou o Lucas no lugar de Mayke que sentiu. Pisano saiu para a entrada do Elber, voltando de lesão após 15 dias parado e 2 dias de treinamento.

O Cruzeiro levou a virada após o árbitro marcar uma falta idêntica à que tinha acontecido do outro lado, mas que ele tinha escolhido não marcar dando mais um amarelo para o Lucas. Paulo Bento tentou fazer algo mandando o zagueiro para o ataque. Não é a primeira vez que ele fez isso este ano. Bruno Rodrigo foi para o ataque contra o Flamengo enquanto o Bruno Ramires foi para a zaga. Ontem, diferentemente da derrota para o Flamengo, saiu o gol dos pés do Fabrício Bruno. Até que o Lucas, aquele de umas frases pra trás, contribuiu num erro que ajudou no gol derradeiro. Fim do jogo.

Não tem como achar um ponto pra ser crucificado, não podemos nos prender à melhores momentos. E se tivesse empatado nos minutos finais que o goleiro deles precisou fazer uma grande defesa? E se o Henrique não tivesse machucado, o Cruzeiro teria virado essa bagunça tática? E se não houvesse a distribuição gratuita de cartões? E se não tivesse marcado a falta? O Cruzeiro afrouxaria a marcação?

Houve uma sucessão de fatos que culminaram na derrota final. Não gosto de fazer análise com texto de pós-jogos por isso. De cabeça quente talvez não repare tudo e de cabeça fria entraremos num jogo de “e se” sem fronteiras. Mas uma análise acertada pra essa derrota pode ser resumida em uma pergunta: e se nosso elenco qualificado fosse?

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D