Foto: Lightpress / Eduardo Valente

O mito da camisa oito

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“Mais importante do que ser campeão do mundo  é entrar na história e lá ficar, para sempre.”

Johan Cruyff

Pouco se fala do camisa 8. A 8 do Tostão, do Ricardinho e, agora, do Henrique. Em toda história do Cruzeiro, a 8 sempre foi honrada com digníssimos donos.

Podemos observar a 10, tão aclamada 10 de Dirceu e Alex. Por muito tempo mesmo, foi humildemente carregada por Dirceu. Foram 10 anos com sua assinatura e sua moral. Mas a 8 é duradoura. 10 anos com Tostão, 10 anos com Ricardinho e, praticamente, 8 anos com o Henrique. A 8 do Tostão, tantas vezes confundida com a 10, é historicamente bem tratada. Se somarmos esses tempos, foram 28 anos com donos certos, o que representa quase 30% da história do Cruzeiro!

Clássico mineiro em 1967 | Foto: Blog Atletico x Cruzeiro Raridades

Clássico mineiro em 1967 | Foto: Blog Atletico x Cruzeiro Raridades

Começamos com o Tostão, foram 383 jogos e 245 gols em 10 anos. Poderia até ser mais se o Yutrich não tivesse vindo, mas deixemos as água do passado lá no passado… Ele e Dirceu Lopes, indiscutivelmente, estão no posto de maiores jogadores da história do Cruzeiro.

Na década de 90 surgiu outro grande dono pra camisa 8 celeste. Ricardinho, franzino e cria da base, conquistou a titularidade aos 19 anos e foi largar 7 anos depois. O maior pé quente da história do Cruzeiro com seus 15 títulos, entre eles, uma Libertadores e duas Copas do Brasil.

Mas hoje quero falar do nosso camisa 8 atual, o qual não possui marketing, não tem rede social e nem é muito bom de entrevista. Não sobe no caixote, não é polêmico e está sempre aparecendo nos VTs de horas importantes. Praticamente 8 anos dedicados à um clube onde passou por tudo: reserva, mas sensação em 2008. Vice da Libertadores (com seu gol na final) em 2009, imenso em 2010, convocado e vendido em 2011. E então voltou em 2013 .

Em 2013 veio com um troco de uma grande venda. Ninguém o queria, mas ele quis vir. Antecipou sua apresentação para poder voltar ao Mineirão e lá estava como menino que não via uma bola há muito tempo. Era uma cara de besta de felicidade para começar um ano que não seria fácil para ele. Por respeito, ficou com a 8 na numeração fixa em meio à rostos desconhecidos. Voltava de cirurgia, teve que refazê-la e voltou ao fim daquele ano, tendo entrado em poucos jogos, inclusive o do título.

Talvez seja predestinado para que assim seja. O camisa 8 do Cruzeiro nunca será mero coadjuvante mesmo que o tempo e as análises – estranhas – diga isso à ele.

Em 2016 vinha sendo criticado. Era “velho”, “lento”, vaiado na escalação e uma história esquecida. Claro que história não joga bola, mas é a velha máxima que defendo sobre jogadores em fase ruim, mas que não significa que sejam ruins. É a diferença do “ser” e “estar”. E agora não podemos imaginar, mais um vez, o Cruzeiro sem o Henrique e o Henrique sem o Cruzeiro.

E hoje ele continua sendo e também está: um real camisa 8 do Cruzeiro.

Obrigada, capitão.

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D