Agência i7

2016, Euricos, Perrellas, clássico e futebol

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Eu não quero falar sobre a fase do Cruzeiro. Desculpa.

Às vezes uso a frase “não é só futebol” no inverso porque o que não é só, é só sim. Houve uma época em que eu estressava mais, discutia mais, brigava mais por futebol. Não perderia uma discussão qualquer e comprava a briga pelo meu time.

Hoje aprendi que quando o despertador toca no dia seguinte podemos sim esquecer o futebol do dia anterior, ainda mais que temos tanta conta a pagar, tanta vida pra viver, tanto trabalho pra fazer. Futebol, mesmo que a gente dê um valor absurdo, é um nada que achamos que é tudo. Mesmo sabendo e repetindo isso algumas vezes, nunca cedemos à verdade.

Há pouco tempo entrei em uma discussão que no fim das contas um colega concluiu que o Zezé Perrella é melhor que o Gilvan porque não levava desaforo pra casa. Agradeço aos Perrellas pelos títulos, mas me desculpe: em pleno 2016 “levar desaforo” é uma expressão tanto infantil quanto sair na rua brigando por causa de torcida organizada.

Foto: Agência I7

Foto: Agência I7

No futebol de hoje, personagens polêmicos ganham holofote apenas por isso e nada mais. A família Perrella fez nada de 2004 até o terrível fim de mandato em 2011 (8 anos), porque, creio eu, não conseguiram manter um time bom com as cifras modernas do futebol. Eurico Miranda no Vasco só voltou pra diminuir a importância no futebol nacional de um dos times com maior torcida do país. Kalil, talvez o ponto fora da curva dos diretores recentes mais polêmicos, saiu antes da bomba do Atlético explodir (desculpe amigos atleticanos, mas a verdade é que: não há milagre financeiro). Jogadores polêmicos também não aparecem tanto, ou por causa da assessoria ou porque realmente perdem o foco. Vide Adriano Imperador, Jobson…

Homofobia, racismo e machismo ainda persistem, mas hoje ao menos existem pessoas com vergonha disso. Olham para o lado pra ver se não vão fazer sozinhos e reparam se ninguém de fora está vendo. Futebol moderno em arenas modernas tem muitos lados ruins, mas o pensamento moderno tem que existir. Não por ser de “esquerda”, “feminista” e sei-lá-mais-o-quê, mas por questão óbvia do respeito.

Hoje, mesmo numa fase horrível do meu time, futebol ficou mais divertido pra mim. Não levo desaforo pra casa porque eu decidi não ter desaforos. Me chamam de Maria e… nem sei o que faço mais que nem reparo. Meu time perde, mas vida que segue que tenho que acordar cedo para ir trabalhar e umas provas na faculdade pra estudar. No dia seguinte talvez estarei fazendo piada pela péssima fase do meu time. Ir ao campo não é só pra ver o time ganhar (claro que quero), mas estão lá os amigos, os cantos, a festa, a atmosfera… tanta coisa a mais!

Faz um turno que, quando estava em casa nervosa com o clássico das 11 da manha, meu tio ligou no meio do primeiro tempo falando que tinha capotado o carro na 040 e precisava de ajuda. Naquele desespero todo, eu não lembro mais de como foi o jogo mesmo que a TV tenha ficado ligada. E no mesmo dia teve gente que foi pro hospital por causa de briga de torcida no Eldorado!

Pessoal: parem com isso que ter rival é ótimo. Até pra ser Barcelona precisa de ter um Real Madrid. As nossas conversas de elevador seriam apenas sobre o tempo se não fosse o futebol e suas rivalidades. Deixem essa rivalidade – a imbecil – apenas no passado.

Mas sorte pra quem quer continuar vivendo nos anos 80-90 que eu vou ficando por aqui em 2016, que é tanta vida pra viver…


Fotos: Agência i7

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D