Fábio, Willian, Marcelo Moreno, o imediatismo e a memória curta

Tempo de leitura: 4 minutos

Nossa, que título intenso.

E aí, galerinha, tudo certo?

Fui ler as notícias sobre o Cruzeiro para fazer o texto de hoje e a maioria delas é sobre jogadores, digamos, controversos para essa bolha de torcedores de twitter em que vivemos hoje em dia. Na minha bolha, Fábio é odiado por muitos, amados por outros muitos e num relacionamento complicado com um terceiro grupo de muitos. Nunca tem pouco, é sempre muito. Muito. E eu nunca consegui compreender essa divisão toda sobre um jogador que está há tanto tempo jogando com a nossa camisa. Em condições normais de temperatura e pressão – se o cara não é um completo idiota – com onze anos de clube, recorde de jogos disputados, capitão, bi-campeão brasileiro, o jogador deveria ser idolatrado por 345% da torcida. Estilo Rogério Ceni no São Paulo. E olha que o Rogério Ceni é um completo idiota.

Mas Fábio não é idolatrado por muita gente. E tudo bem, apesar dos pesares, a gente tem que respeitar todo mundo e deixar cada um gostar de quem quiser gostar. Mas que não é normal pelos fatos citados acima, ah não é. Porque é aquele negócio né, as pessoas se escondem muito na “paixão de torcedor”, na “minha opinião ué”, para estarem completamente errados sem precisar de alguma razão. E eu não gosto muito disso. Acho que precisamos passar desse negócio de irracionalidade futebolística. Temos tantos dados, tanta coisa concreta, que fica complicado aceitar que a pessoa tem sua verdade apesar da verdade.

Acho que muito disso vem do imediatismo que a gente tem com futebol hoje em dia (não sei se antigamente era assim). Não tá funcionando hoje, não presta. Errou hoje, precisa sair. Tudo é momento, seleção é momento, vamos gente, momento. Momento, momento, momento. E a gente acaba esquecendo a história. E a história é importante. Se esquecemos a história é bem provável que vamos repetir os mesmos erros, aqueles que a história tentou nos ensinar. Dizem que a história só é contada pelos vencedores. E acho que isso acontece muito no futebol. Lembramos das coisas boas e deixamos de lado os problemas, as derrotas. Porque tudo é descartável. Perdeu, muda. Foi mal, sai. Toda nossa cultura de treinadores é formada com base nisso. Achamos normal demitir um profissional que “treinou” a equipe por dez partidas, chegando no meio do ano.

Mas vamos voltar ao Cruzeiro, e aos jogadores. Acho que esse imediatismo está afetando muito o Willian. É inegável que ele foi parte muito importante do título de 2013. Ele chegou, Diego Souza saiu, e o time começou a voar. Foi impressionante. Ele pegou seu lugar no time e não saiu mais. Já em 2014 ele se machucou e caiu um pouco de rendimento. Mas mesmo assim, foi o principal responsável pela nossa classificação à final da Copa do Brasil daquele ano. Fez um jogo espetacular na Vila Belmiro. Em 2015 se machucou novamente, fez um péssimo ano até virar centroavante. A partir daí foi o principal jogador da equipe, tirou o Cruzeiro do buraco e nos levou para a parte de cima da tabela. Importantíssimo novamente. Já em 2016, com toda a responsabilidade de um centroavante, com a camisa 9 às costas, não correspondeu. Mas temos que levar em conta o que aconteceu com a equipe como um todo. Três treinadores diferentes, diversas formações, jogadores chegando e partindo a toda hora. Foi uma bagunça.

Bom, digo isso tudo porque não consigo acreditar na notícia que li hoje de que ele poderia ser negociado. E pior, indo para o Palmeiras, time mais cheio da grana, cheio de jogador, candidato a tudo quanto é competição no ano. É um completo caso de imediatismo + memória curta + acreditar mais em opiniões que em números e fatos. E o pior de tudo é que isso não vem da torcida. Vem do presidente do clube. Uma pessoa que deveria estar se baseando completamente nos fatos, na verdade, na história para fazer esse tipo de negociação. Mas acho que estou sendo exigente demais com Gilvan. Um presidente que contrata Riascos não tem esse discernimento sobre o que está acontecendo na vida real.

O caso de Marcelo Moreno é estranho também. Um jogador que sempre gostou do clube, e muito mais importante, sempre foi BEM pelo clube, tem uma divisão maluca entre os torcedores. Amor, ódio, indiferença, um ódio amoroso e um amor odioso. Se formos analisar os números, são 89 jogos e 45 gols. Meio gol por jogo. Isso é um absurdo de bom. Ele é tipo o Cristiano Ronaldo melhorado do Cruzeiro (risos).

Mas ele não é um jogador PLÁSTICO, como dizem os especialistas em usar palavras que nada tem a ver com futebol para denominar coisas dentro do futebol. Ele não domina a bola com a classe que esperamos de um super centroavante que não existe faz uns 20 anos no futebol brasileiro. Ele não tem um nome pequeno e legal como Dodô, Tuta, Oséas, Túlio. O nome dele não começa com R, e todo mundo sabe que um bom centroavante tem que ter o nome iniciando com a letra R. Ele não chama Frederico e faz juras de amor a todo time que passa. Então toda nossa racionalidade de gostar de um jogador que faz meio gol por jogo vai para o espaço e não queremos que alguém com esses números venha de graça para nossa equipe porque somos muito apaixonados por futebol. É um pouco confuso de entender.

Então é isso amiguinhos, até amanhã.

Não me siga

Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
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  • Paulo Henrique Tobias

    Não entendo como comparar Fabio com Rogerio Ceni. Rogerio ganhou tudo no Sao Paulo sendo o protagonista e é provavelmente o maior idolo da historia dos caras. Já o Fabio, nos 11 anos de clube, demorou pra se firmar como bom jogador e nos dois brasileiros, só acho que ele foi bem em 2013 (que pra mim foi seu ultimo ano em bom nivel). Em 2014, acho que ele “sofreu” do mesmo bem do Marcelo Moreno: jogava num time foda. Na primeira passagem do Moreno aqui eu era bem novo e nao lembrava direito, mas o que eu vi em 2014 foi um jogador limitado que conseguia ir bem num timaço. A visao que eu tenho é que se ele voltar pro time agora em 2017, ele vai apenas se queimar com a torcida pq nao vai corresponder às espectativas de um time que será bem pior que o de 2014.
    Sobre o Willian, acho que ele é um jogador de fases e nao consigo ver ele voltando a jogar bem aqui. Ja perdi todas minhas esperanças com ele

    • Se você não entende como comparar dois goleiros capitães e campeões, então realmente eu não sei mais o que fazer para te ajudar. E é engraçado, você pegou tudo de ruim que conseguiu falar do Fábio e tudo de bom do Rogério para tentar desqualificar o nosso goleiro. Você sabia que o Rogério Ceni quase saiu do São Paulo quando jovem? Que brigou com deus e o mundo lá dentro trazendo um tanto de crise para o clube? E os times do Rogério, não eram bons? Ele ganhou os títulos sozinho enquanto o Fábio só foi bem porque tinha time? Eu acho que esses argumentos são péssimos, é pegar qualquer coisa pra tentar fazer um ponto que sinceramente, não faz muito sentido.

      • Paulo Henrique Tobias

        Não me entenda mal. Eu respeito o Fábio pela historia que ele tem aqui e acho que não ficou claro no meu comentario, mas pra mim ele foi de longe o melhor goleiro do Brasil em 2013. Só que parou aí. De 2014 pra cá o nivel dele caiu demais e o Rafael mostrou que tá preparado pra assumir a vaga.
        E eu nao vejo como um desrespeito colocar ele na reserva. Xavi nos ultimos anos de Barcelona (ou só no ultimo, nao lembro direito) foi reserva e não lembro de ter visto nenhuma reclamaçao dele por conta disso.

    • Rafael

      Rogerio tambem demorou pra se firmar la (chegou em 91 e so foi ser titular em 97), demorou a ganhar titulo la (ate 2005 so tinha ganho camp.paulista) e conviveu com falhas e criticas por muito tempo, principalmente depois do escandalo dele ter forjado uma proposta do Arsenal. Engracado que o verdadeiro auge de carreira do Ceni foi apos os 33 anos

    • Lucaa

      São Paulo X Cruzeiro no Morumbi, primeiro jogo das oitavas da Libertadores de 2015, Marcelo Oliveira ainda era o treinador e o time fez uma das piores partidas em três anos. O São Paulo criou aproximadamente 2843032309423094 chances claríssimas de gol mas, no final, ganhou de 1×0. Não sei se você se lembra desse jogo mas procura os melhores momentos depois, o Fábio DESTRUIU o ataque do São Paulo, foi naquele jogo que eu passei a amar ele incondicionalmente. Se a gente chegou nas quartas contra o River foi graças ao Fábio.

  • Anderson Freitas

    De tudo escrito talvez eu discorde um pouco dá parte do Moreno. Não é exatamente por ele não ser esse craque todo, e eu até gosto dele, mas o problema é, ele vai vir pra ser banco? Tendo em vista que centroavante de área já temos, e Mano Menezes parece preferir alguém mais móvel ali na frente. Sim eu sei que quem tem que avaliar isso é quem vai pagar, mas pelo valor de salário, não compensaria ir atrás de um ótimo volante passador?

    • Acho que pra ganhar títulos a gente precisa de muito jogador. Não é porque já temos o Ábila que não podemos ter o Moreno. Ele pode vir do banco, pode jogar quando o Ábila machucar, for expulso, convocado.. qualquer coisa. Em 2014 a gente já tinha um bom time, ele veio e ajudou bastante. Eu também quero um volante passador, mas acho que uma coisa não exclui a outra, dá pra ir atrás de um também.

      • Anderson Freitas

        Eu entendo seu ponto, e concordo com ele, porém como eu disse lá em cima, será que o Mano Menezes vai mudar sua idéia de jogo e passar a utilizar mais centroavantes fixos, ou continuará a preferir um jogador mais móvel a frente? Mas msm sabendo disso e ele preferir o Abila, será que o moreno vai vir pra ser 2º reserva, já que certamente o Willian será o 1º?. Agora entrando numa hipótese que nunca ocorrerá sobre o volante passador, vc acha que esse podia ser o Robinho? Ou o time ficaria totalmente desequilibrado?

        • É, tem muita coisa que pode ser feita, E isso é até bom. Pode jogar com Ábila, com Willian, com Moreno, dá pra mexer bastante no time. Acho que é positivo. Eu colocaria Ábila de titular e Moreno como primeiro reserva. Willian pra mim deveria jogar pelas pontas. E agora, com Thiago Neves, Talvez possamos mesmo passar o Robinho para a posição de volante. Acho interessante.

  • Pierre Alexander

    Olha, primeiramente preciso dizer que achei meio nada a ver o Fábio em um mesmo texto envolvendo Du Bichado e Marcelo Caneleiro. O Fábio é um jogador incontestável. Tudo bem que tem uns e outros que o odeiam e desejam o ver longe daqui, mas a maioria o respeita e o tem como um ídolo. Já Willian, o ciclo dele acabou. Nós temos que parar de ser apegados a jogadores que não estão rendendo mais. É preciso renovar. Coisas velhas precisam sair pra coisas novas vir. É a lei da vida. Não rendeu em 2015 e nem em 2016. Ta hora de despedir dele. Tchau Willian. Já o MM, não tenho muito o que falar. É muito papo, muita mídia, muita ilusão do torcedor. Essa obssessão de alguns por ele é mais por ele diizer que ama o clube (se amasse já teria aceitado a proposta a muito tempo) do que bom jogador.

    • Eu não curto muito isso de “ciclo acabou”, não acho que existam ciclos. E acho que ele é um jogador muito útil, que nos ajudou em momentos complicados. E ganhou títulos importantes.

      Já sobre o Marcelo Moreno acho que os números dele passam por cima de qualquer mídia ou papo. São muitos gols, um rendimento excelente. E não acho que você precisa abaixar seu salário por gostar do clube, você deve receber o que merece, ou pelo menos o que acha que merece.

  • Lucaa

    Fábio é incontestável, só retardado contesta o Fábio.

    O Willian é um ótimo jogador mas tá longe de ser um centroavante, acho que pra ele voltar a render tinha que jogar como segundo atacante ou ponta.