CR#01 – A regra da suspensão por cartão amarelo no brasileirão

Tempo de leitura: 6 minutos

Olá amigos,

Bem-vindos ao primeiro texto da coluna cagando regra, onde eu quero mudar todas as regras do futebol brasileiro até que ele fique ótimo (apenas para mim). Acabei chamando apenas de CR no título pra ficar mais amistoso, bonito, tranquilo e também pela preguiça de ficar escrevendo cagando regra toda hora.

Bom, então vamos cagar a regra.

Eu acho que devíamos mudar a regra de suspensão no brasileirão. De três para cinco cartões amarelos. Explico.

No Brasil, nossos juízes dão muitas faltas. Não, pera. Eu vou fazer um super trabalho estatístico aqui pra ver se as coisas que eu vou afirmar batem primeiro. Vai que está tudo errado, não é mesmo?

Voltei. Ufa, foi complicado. Primeiro eu achei no site statbunker todos os cartões amarelos dos times na Bundesliga, na Premier League e na La Liga. E achei no site torcedores.com todos os cartões amarelos do brasileirão. Tudo em 2016. Depois fui ao whoscored.com e achei todas as faltas de todos os campeonatos em 2016. Fiz a conta para saber quantas faltas temos por jogo, quantos amarelos temos por jogos e quantas faltas fazemos até recebermos o primeiro amarelo. E foi surpreendente.

Vamos começar com a Inglaterra. Eu gosto bastante do futebol inglês. Não por ele ser o melhor, ter as melhores equipes, os melhores jogadores, blá blá blá… mas sim por ser o mais intenso e maluco dos campeonatos. Sempre ouvimos falar que uma das razões para essa intensidade toda é porque eles marcam menos faltas, que deixam o jogo correr, e isso é embasado pelos números. Eles tem o menor número de faltas entre todos os campeonatos analisados. São 8238 faltas em 380 jogos. 21,67 faltas por jogo. Um número bem baixo. Eles ganham até mesmo da Alemanha, que conta com dois times a menos no campeonato. Eles também têm o menor número de cartões amarelos entre as quatro ligas. São 1186. 3,12 cartões por partida. É um campeonato que não pune tanto o jogador.

E na Inglaterra o sistema de suspensão por cartão amarelo é a cada 5 recebidos. Mas tem um detalhe. Eles conectam esses cartões por todos os campeonatos disputados no país. Copa da liga inglesa, copa da inglaterra e campeonato inglês. Se você tomar um amarelo na copa da liga, um na copa da inglaterra e três no inglês, você cumpre suspensão na próxima partida. Não importa de que campeonato for. E como lá eles não dão tanta importância para as copas, os jogadores titulares só disputam as partidas finas, e se o time chegar até lá. A conclusão é que fica bastante difícil para um jogador ser suspenso em poucas partidas. E tem um detalhe. Se você for suspenso e depois levar mais cinco cartões amarelos, sua suspensão sobe para duas partidas, e quinze amarelos significam três jogos de suspensão.

A Alemanha, que também tem um perfil de jogo mais intenso e divertido de se assistir, é a segunda colocada em menos faltas cometidas. São 8923. 29,16 faltas por jogo. Mas uma coisa que precisamos ressaltar é que por lá temos apenas 18 times disputando o campeonato. São 74 jogos a menos na temporada. Um número considerável. Os juízes de lá assinalaram 1195 cartões amarelos, 3,9 por jogo. E o sistema é igual. São necessários cinco cartões amarelos para a suspensão de um jogador.

Já os números da Liga Espanhola me surpreenderam. Eles marcam muitas faltas. 10368. Mais de mil acima de Premier League e Bundesliga. São 27,28 por jogo. E isso é visível no futebol do país. É menos intenso, mais parado. Você não sente aquela maluquice do inglês e a pressão do alemão. E, na minha opinião, por ser mais tranquilo, a técnica dos jogadores prevalece.

Até aí tudo bem. O que me assustou de verdade é o número de amarelos assinalados. São pornográficos 2044 cartões amarelos. 5,37 por partida. Mais de OITOCENTOS acima de Premier League e Bundesliga. É de longe o número mais alto. E pra mim isso é outra coisa que contribui para um jogo menos intenso. São muitos jogadores amarelados a cada partida. Isso pode tirar o ímpeto de zagueiros e volantes defenderem com mais força e agressividade, pelo medo de expulsão, e protege bastante o jogador ofensivo. Se tudo é falta, e tudo é para cartão amarelo, o zagueiro não vai entrar tão forte nas divididas. E o atacante sempre vai levar vantagem. Mas vamos deixar bem claro, isso é apenas uma suposição. E mesmo assim, eles tem a regra de cinco amarelos para suspender jogadores. Mesmo dando amarelo em tudo quanto é espirro, os jogadores tem que espirrar bastante para serem suspensos.

Agora vamos para o Brasil. Nós temos o número mais alto de faltas marcadas, como eu imaginava. São 11832. 31,13 faltas por jogo. E olha que melhoramos. Se não me engano, nossos números em campeonatos passados era de 35 a 40 em média. Mas ainda são muitas faltas. Vamos pensar que a cada três minutos uma falta é marcada em uma de nossas partidas. A cada três minutos o jogo para e recomeça, para e recomeça. E se pensarmos nas GRANDES DORES que os jogadores sentem a cada uma dessas faltas, as reclamações e a demora para se cobrar cada uma delas, quase não sobra tempo pra jogar futebol. Estou exagerando, eu sei. Mas não deixa de ser problemático.

Agora vamos para o caso dos cartões amarelos. Nós não vencemos essa categoria pela maluquice espanhola de dar amarelo para tudo. Mas ficamos num honroso segundo lugar com 1693 amarelos. 500 a mais que Premier League e Bundesliga e 300 a menos que os espanhóis. 4,45 amarelos por jogo. A cada jogo, 4 jogadores saem com cartão.

Se você for comparar os números, até que não estamos tão ruins assim. O número de faltas é grande, o de amarelos também, mas ficamos bem perto da Bundesliga em faltas por jogo e amarelos por jogo. A Inglaterra é uma maluquice de nada é falta e nada é amarelo e a Espanha é uma maluquice de tudo é falta e tudo é amarelo. Estamos mais para o lado “normal” das coisas.

Só que nossa regra de suspensão estraga tudo. Aqui três cartões amarelos suspende o jogador. Então não importa se estamos melhores que a Espanha em cartões amarelos. Se suspendemos os jogadores tão facilmente, esse número menor de cartões mostrados não compensa no final das contas. E não podemos nem comparar com a Inglaterra. Eles já não marcam nada, não amarelam ninguém, e ainda suspendem com cinco amarelos. A diferença é absurda.

Isso, por si só, já seria motivo suficiente para mudar a regra. Mas tem um agravante. Nós não temos os grandes elencos das equipes dessas três outras ligas. Não temos o dinheiro, os grandes talentos, nem o número absurdo de jogadores bons para fazer o rodízio que eles empregam na europa. Aqui jogamos com os melhores jogadores na maioria dos jogos. E pior, disputamos mais partidas que os times europeus. Disputamos estaduais, libertadores, copa do brasil, sulamericana, brasileiro e, se bobear, alguma liga regional. Porque jogo pouco é bobagem.

Então temos menos jogadores bons para compor o elenco e, consequentemente, mudamos menos o time titular. Além disso, marcamos muitas faltas e distribuímos muitos amarelos. E pra completar, suspendemos a cada três cartões. É muito punitivo, atrapalha as equipes e, certamente, enfraquece o campeonato.

Precisamos mudar a regra para suspendermos somente a cada cinco cartões amarelos.

Nossa, que textão.

Até segunda.

Não me siga

Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
Não me siga
  • Anderson Freitas

    Nunca descobri se essa regra de 5 cartões pra todas as competições é só na Inglaterra ou nas outras grandes ligas européias, vc sabe?. Acho que se a regra de 5 cartões funcionasse assim no Brasil seria ruim, aqui as competições são muitas e todas bagunçadas, deveria ser assim, mas só no brasileirão.

    • Acho que esses cartões cumulativos é só na Inglaterra. E acho também que deveria ser só para o Brasileiro. Imagina levar cartão no mineiro, copa do brasil, e brasileiro. Os caras iam ficar mais suspensos hahahaha.

  • Reinaldo Avelar Drumond

    Concordo com quase tudo. Mas sou mais radical ainda. O amarelo deveria ter apenas a função para o qual foi criado:advertência. Na origem era para possibilitar comunicação entre árbitros e jogadores que não falassem a mesma língua. Assim ele não geraria suspensão nunca. Apenas seria a advertência para, na reincidência, uma eventual expulsão.