Ábila deveria ser titular, mas eu entendo o Mano

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Olá amigos, tudo certo?

Hoje precisamos falar sobre o Ábila. É até bom porque vamos puxar diretamente da ~vibe~ que ele deixou ao marcar dois gols na última partida e dar a vitória ao Cruzeiro, num jogo terrível do tedioso Campeonato Mineiro (que deveria acabar, segundo eu mesmo nesse texto aqui).

Ábila chegou como um gênio, o maior centroavante da história do universo, um diamante descoberto por Thiago Scuro e companhia limitada numa de suas escavações pelo mundo desconhecido da… América do sul. Chegou fazendo belos gols, dando vitórias ao time – que passava por um momento difícil – e parecia estar com seus dias contados rumo ao Barcelona na maior transferência da história do futebol. Mas o destino queria pregar uma peça em Mano, Ábila, Cruzeiro e torcida. O centroavante parou de marcar gols.

Na verdade começou a perder gols. E custar pontos ao Cruzeiro. Flamengo, Atlético Mineiro… Ábila perdia gols inacreditáveis e Mano começou a deixar de acreditar nele. Mano queria testar Willian, que brilhou com o treinador em 2015. E, apesar da choradeira do twitter e de parte da torcida no estádio, funcionou. Willian não fazia muitos gols, é verdade. Perdia os mesmos gols que Ábila, outra verdade. Mas Willian dava movimentação ao ataque, mudava de posição constantemente, deixando Sóbis, De Arrascaeta, Alisson e Robinho, mais livres para entrar na área e marcar gols. E o time melhorou, subiu na tabela.

Mas Willian continuava errando gols. E Ábila entrava no segundo tempo e também errava gols. O Cruzeiro, como um todo, errava gols. E Mano não sabia o que fazer para o time marcar gols. Tanto que, no fim do campeonato, testou Sóbis como centroavante. E vem fazendo esse teste nesse ano também. Mas Sóbis quase não marcou gols em 2016. E não marcou nenhum gol em 2017. Estaria o posto de centroavante do Cruzeiro amaldiçoado? TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN.

Continua no próximo episódio…

Não, o que é isso? Fiquei doido aqui, dei uma empolgada. Isso não é um seriado de terror futebolístico. Apesar de que seria DEMAIS um seriado de terror futebolístico. Isso é um texto sobre o Ábila.

Isso, Ábila, vamos voltar ao Ábila.

Ábila nos mostrou que o posto de centroavante do Cruzeiro não está amaldiçoado marcando dois gols de centroavante contra o Tricordiano. E, com mais esses dois gols, Ábila chega a 14 em 32 jogos. 0,43 gol por jogo. Quase meio gol por partida disputada. E isso é muito bom para qualquer jogador em qualquer lugar do mundo. Vai procurar aí em algum lugar jogador que tem meio gol por jogo. Você não vai achar muita coisa. E esse é o ponto. Com essa média de gols, Ábila deveria ser o centroavante titular do Cruzeiro.

Mas é aí que vem a segunda parte do título. E se você não lembra e/ou é muito preguiçoso para rolar a página pra cima para ler novamente, eu reescrevo aqui. “Ábila deveria ser titular, mas eu entendo o Mano”. Agora é a parte de entender o Mano. E para isso, precisamos olhar para fora.

Pense em Barcelona, Manchester City, Liverpool, Arsenal e Borussia Dortmund. Alguns dos melhores times do mundo que apresentam um estilo de jogo rápido, fluido, de movimentação, intensidade, toque de bola… E o que eles tem em comum? Centroavantes rápidos, que se movimentam bastante, que saem da área e dão espaço para outros jogadores finalizarem. Suárez, Aguero, Firmino, Alexis Sanchez e Aubameyang. Todos centroavantes sem a velha característica de centroavante. Na verdade, todos foram atacantes de lado de campo em algum momento de suas carreiras. E agora foram movidos para o meio, são os FAMOSOS falsos. Centroavantes que não são centroavantes. Que fazem gols de centroavantes, mas que se movimentam feito segundos-atacantes e saem da área como pontas, que conseguem driblar zagueiros ou disputar uma bola cruzada com eles. Jogadores que podem desempenhar diversas funções dentro de campo. Não ficam apenas parados no ataque à espera de bolas açucaradas para marcar gols. E deve ser nisso que Mano pensa ao não escalar Ábila.

Ele deve olhar para essa tendência em alguns dos melhores times do mundo e querer isso para sua equipe. Por isso a escalação de Willian, e agora Sóbis. Ele não quer o simples centroavante, ele quer o atacante rápido que faz tudo na posição. Ele quer o ataque fluido, a movimentação, o toque de bola rápido, quer confundir o adversário, abrir defesas e marcar mais gols. E eu entendo isso. É um estilo de futebol muito bonito e vistoso. E acho que seria muito bom ver o Cruzeiro jogando dessa forma. Maaaaas… (vem aí o contraponto do contraponto, e por essa você não esperava).

Mas ainda existem times que jogam com centroavantes centroavantes. Real Madrid, Manchester United, Bayern de Munique, Chelsea… E sabe por que? Porque seus centroavantes são excelentes. Fazem muitos gols. Salvam seus times em várias oportunidades. São jogadores que podem decidir jogos a qualquer momento. E para esse tipo de jogador vale sacrificar um pouco da velocidade e movimentação do restante da equipe.

E acho que Ábila se encaixa aí. Ábila é um centroavante acima da média. Eu já cheguei a mencionar que ele tem quase meio gol por jogo? ELE TEM QUASE MEIO GOL POR JOGO. E é por isso que acho que ele deve ser titular do Cruzeiro, mesmo entendendo o que o Mano quer fazer. Ele é muito bom para ser reserva de jogadores que não marcam muitos gols. E o Cruzeiro tem muitos jogadores criativos, que podem fornecer toda a movimentação e velocidade que o time necessita para confundir defesas e marcar os gols necessários. Sem tirar o Ábila.

Até a próxima.

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Michael Renzetti

Não sei nada sobre táticas, sobre jogadores, sobre times - bom, na verdade eu acho que não sei nada sobre futebol. Mas eu gosto de opinar.
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