[CDM] Cadê os times femininos, Cruzeiro?

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Aqui é a Luciana Bois escrevendo. Devido ao meu último texto, algumas mulheres me procuraram querendo abrir um espaço pra que todas possamos falar sobre o Cruzeiro, futebol e essas coisas. Então abri uma coluna aqui, pra quem sabe um dia fazermos um site, ein?! Então se tiverem interesse, me procurem e podem mandar seus textos que publicarei aqui. Não fiquem com vergonha sobre falar qualquer coisa e se precisarem de dicas, eu finjo que sou expert e ajudo! Então pra iniciarmos esse “bate bola” (unm… cheia das expressões futebolísticas), vem aí para vocês a Izabela pra perguntar cadê os times femininos, Cruzeiro?!


A partir de 2019, os times que estiverem na Copa Libertadores devem ter time feminino futebol PROFISSIONAL. Ressaltei em letras garrafais porque é bem provável que, caso contrário, as coisas poderiam ser feitas nas coxas, apenas para dizer que tem um time feminino de futebol e pronto.

No Cruzeiro, enquanto presidente, Zezé Perrela chegou a declarar que não havia a mínima condição de montar um time feminino pelo simples fato de não ter patrocínios e incentivo para que isso fosse viável. Pois bem, a instituição logo será obrigada a montar um time, provavelmente às pressas e logo vão dizer: “Tá vendo? Era pra isso que queriam o futebol feminino? Para passar vergonha?”. Um projeto precisa de tempo para ajustes normais e a cobrança provavelmente será como se o time já existisse pelo menos há uns 30 anos.  Já estamos no meio de 2017 e nem sinal de que isso está sendo tratado entre conselheiros ou se existe algum projeto, mesmo que embrionário.

Santos 2 x 1 Iranduba em Manaus com 25.371 pessoas. Futebol feminino aí, oh! | Foto: Bruno Kelly

O multicampeão Sada Cruzeiro sofreu forte pressão de parte dos conselheiros porque consideravam o esporte vôlei “inadequado”  (se é que vocês me entendem) para ser vinculado a marca Cruzeiro.  E a caminhada não foi fácil! Mesmo sendo masculino, tinha muita gente lá no Cruzeiro que torcia o nariz até pelo fato dos atletas treinarem no Barro Preto.  E só se manteve por ser muito bem gerido, pela existência de um projeto, planejamento e (consequentemente) os títulos, caso contrário, a parceria provavelmente nem existiria mais.

Sim, o preconceito existe e está nas entrelinhas. Recentemente, o marketing do clube foi premiado no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, um dos principais eventos de publicidade com a campanha #VamosMudarOsNúmeros, lançada no Dia Internacional da Mulher. Notei alguns comentários em redes sociais dizendo que o Cruzeiro não deveria se envolver nessas ações de gênero porque é um clube de futebol (?!). Me pergunto se essas pessoas não têm consciência do papel social que o futebol exerce. Além do mais, neste trabalho em questão será que não sabem a importância de cada vez mais discutirmos sobre a sociedade ainda machista, preconceituosa e que em muitos casos a mulher não denuncia porque tem medo? Em minha opinião, achei a campanha espetacular e mais feliz ainda porque ganhou repercussão internacional. Times de futebol fazem parte da sociedade e devem usar do poder alcançado para influenciar educar as pessoas.

E só comecei esse texto porque queria perguntar: Cadê o time de futebol e de vôlei feminino, Cruzeiro? Mesmo que o futebol feminino seja obrigatório a partir de 2019 nós queremos projeto, planejamento e gestão eficaz. Será pedir muito? Vale ressaltar que o Sada possui o time feminino, mas vejo que chegou a hora dos que dirigem o Cruzeiro largar o preconceito de lado e dar mais um passe adiante.

Izabela Santana

Luciana Bois

★★★★ Uma maria que possui a estranha mania de ter fé na vida. ;D